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613 RECADOS
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BANCO DE PROVAS EM CONTINUA EXPANSÃO, ATUALMENTE COM 3967 QUESTÕES OBJETIVAS, 44 QUESTÕES DISCURSIVAS E 48 CASOS CLINICOS, TODAS COM GABARITO COMENTADO

LEISHMANIOSE

As drogas de primeira escolha para o tratamento da leishmaniose visceral são os antimoniais pentavalentes. Os efeitos colaterais variam de leve a grave, sendo os mais comuns:

A. a cardiotoxicidade
B. a artralgia e a mialgia
C. elevações de transaminases e de amilase séricas
D. insuficiência renal
E. surdéz

A. a cardiotoxicidade
INCORRETO: A cardiotoxicidade caracterizada por alterações eletrocardiográficas de inversão do segmento ST, prolongamento do QTc e arritmia cardíaca grave
B. a artralgia e a mialgia
CORRETO : a artralgia e a mialgia são os mais comuns
C. elevações de transaminases e de amilase séricas
INCORRETO : podem ocorrer ainda, elevações de transaminases e de amilase séricas
D. insuficiência renal
INCORRETO :
E. surdéz
INCORRETO :

Gabarito: B

A. I. D. S.

As doenças oportunistas - infecções e neoplasias - e outras complicações decorrentes da imunodeficiência são as principais causas de morbimortalidade em doentes com AIDS. A medida que o déficit imunológico se agrava, aumenta a probabilidade de instalação de infecções oportunistas, geralmente quando o número de LT-CD4+ no sangue cai para determinados valores. Relacionado a isso, indique:

a) Qual é a limite considerada marco referencial para o risco de adoecimento? (0,1 p)
b) Quais são as infecções oportunistas mais frequentes no Brasil? (0,21 p)
c) Detalhe um metodo alternativo de avaliar o nível de CD4. (0,19 p)

a) O limite de 200 LT-CD4+/mm3 no sangue periférico constitui o marco referencial que norteia o risco de adoecimento (0,1 p)
b) Segundo dados do Ministério da Saúde, as infecções oportunistas que ocorrem mais comumente no Brasil, em doentes com AIDS, são constituídas por:
- candidíase (em esôfago, traqueia, brônquios e/ou pulmão),  0,03 p
- pneumonia por Pneumocystis carinii (atualmente denominado Pneumocystis jeroveci), 0,03 p
- tuberculose, 0,03 p
- toxoplasmose, 0,03 p
- herpes simples, 0,03 p
- criptococose 0,03 p
- criptosporidíase 0,03 p
c) Muitos estudos demonstraram a possibilidade de avaliar esse risco por intermédio do número de linfócitos no sangue periférico, comparando-o com o número de LT-CD4+, recurso utilizado sobretudo em regiões pobres, onde não existe a possibilidade de quantificar os LT-CD4+, estabelecendo-se que número de linfócitos totais no sangue menor que 1.400/mm3 corresponde a número de LT-CD4+ inferior a 200/mm3 e que número de linfócitos totais menor que 1.700/mm3 corresponde a número 124 de LT-CD4+ inferior a 350/mm3.
No Brasil, evidenciou-se que número de linfócitos no sangue periférico menor que 1.000/mm3, especialmente se a hemoglobina apresentar-se com taxa mais baixa que 13g%, mantém forte correlação com número de LT-CD4+ inferior a 200/mm3. (0,19 p)

a) e c)  http://misodor.com/SIDA.php#LIM
b) http://misodor.com/SIDA.php#INOP


Masculino, 34 anos, brasileiro, de Alagoas. Sua história tem inicio há 4 anos com dilatação progressiva das veias superficiais dos membros inferiores, que se tornaram proeminentes, gradualmente descoradas e endurecidas. Após 5 anos, notou proeminência dos vasos da face anterior do tórax e parede abdominal. Desenvolveu ginecomastia, e varicocele bilateral.
Nega consumo crônico de álcool e drogas.
Ganha a vida pescando e vendendo peixe.
Não foi evidenciado ao exame clinico icterícia, telangiectasias ou atrofia testicular.
Havia ginecomastia bilateral e esplenomegalia.
A contagem de plaquetas era de 20.000 por milímetro cúbico, as provas funcionais hepáticas não estavam alteradas.
A ultrassonografia duplex-doppler do abdômen mostrou fibrose peri-portal, esplenomegalia e elevado fluxo de portal.
A esofagogastroduodenoscopia mostrou a presença de varizes esofágicas.


CASO CLINICO

Pergunta-se:

1) Qual o diagnostico mais provável e o tratamento do caso? (0,25 p)

2) Como podemos confirmar o diagnostico? (0,25 p)

1) DIAGNOSTICO MAIS PROVÁVEL

O diagnóstico mais provável é de hipertensão portal pela esquistossomose intestinal.Porque isso? E claro que a hipertensão portal existe. Quais são as causas da hipertensão portal? (0,05)

Principais causas de hipertensão portal classificadas de acordo com o local de aumento da resistência vascular:

a) Pré-hepática
Trombose da veia esplênica
Trombose da veia porta
Cavernomatose da veia porta

b) Intra-hepática
Esquistossomose
Fibrose hepática congênita
Cirrose hepática
Hepatite crônica

c) Pós-hepática
Síndrome de Budd-Chiari
Malformações congênitas na veia cava inferior
Pericardite constrictiva

O diagnostico de ESQUISTOSSOMÍASE pode ser considerado enquanto:

- não apresentando antecedentes de etilismo ou outras doenças cirógenas
- idade jovem, contato com águas possivelmente contaminadas
- ausência de ascite, edemas, aranhas vasculares.  (hipertensão portal pre-sinusoidal?)

Procedência de zona endêmica de esquistossomose (Alagoas, no caso) pode sugerir a causa da hipertensão portal, especialmente sabendo que o paciente vem permanente em contato com águas possivelmente contaminadas.
Comumente, em caso de etiologia parasitaria com S. mansoni,  observam-se manifestações de hipertensão portal, sem os estigmas de doença hepática crônica.(0,1 p)

O paciente tem que ser tratado com praziquantel, mesmo com as evidencias de fibrose peri-portal e hipertensão porta, suportando bem o tratamento, com negativação posterior do exame de fezes. O praziquantel (um derivado pirazino-isoquinolíquinico) é empregado na dose de 50 mg por quilo de peso corporal para adultos em dose única, por via oral, dado preferencialmente após refeição. Os percentuais de cura são semelhantes àqueles obtidos com a oxaminiquina. Não se dispõe da apresentação em forma de xarope.(0,1 p)

2) CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA

Para fazer o diagnostico de certeza e preciso encontrar ovos de S. mansoni (0,05 p)

METODOS UTILIZADOS:

  1. o exame parasitológico das fezes (Kato-Katz, Lutz) (0,05 p)
  2. a eclosão de miracídios (0,05 p)
  3. a biópsia retal (0,05 p)
  4. a biópsia hepática (0,05 p)