Fatores e Parâmetros do Crescimento Pós – Natal:

Fatores atuando no crescimento
pós – natal.

Parâmetros de avaliação do crescimento normal.

INTRODUÇÃO

O acompanhamento do desenvolvimento do indivíduo é de fundamental importância e para isso devemos ter noções de como se dá esse desenvolvimento. O desenvolvimento encontra-se dividido em desenvolvimento físico e psíquico. No físico, há mudanças na estrutura corporal; enquanto no psíquico, há ganho de novas funções ou aprimoramento destas.
A principal diferença entre crescimento:

Os médicos deverão saber quais medidas devem ser coletadas para acompanhar tal desenvolvimento, além da interpretação destas medidas, para se avaliar o estado nutricional do indivíduo.
Já o desenvolvimento é acompanhado por práticas e através do relato dos pais, que dirão ao médico o que a criança vem aprendendo ou aperfeiçoando.
É importante o estudo dos vários fatores que influenciam neste processo de desenvolvimento, sendo o fator nutricional um dos mais complexos e de maior importância, pois ele determinará diretamente o grau de crescimento e também de desenvolvimento funcional.
Cabe aos médicos, enfermeiros e agentes de saúde ensinar aos pais, como elaborar o gráfico de crescimento do próprio filho e interpretá-lo, comparando com outros gráficos e tabelas, fazendo assim um acompanhamento adequado da criança, a fim de evitar  transtornos futuros.
Tentaremos dar continuidade ao marco teórico sobre “Desnutrição infantil”, feito pelos acadêmicos do quinto período de medicina, no primeiro semestre de 2003. Visamos, neste trabalho, levantar o maior número de informações a cerca de crescimento e desenvolvimento, puericultura, técnicas para mensuração de peso e altura. Também pretendemos fornecer noções sobre prevenção da desnutrição infantil, detalhando alguns dos fatores que podem acarretar essa desnutrição e conseqüentemente prejudicar o crescimento e desenvolvimento da criança. Além de detalhar ao máximo como se dá o crescimento e desenvolvimento normal.

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

1 - Crescimento (desenvolvimento físico) e desenvolvimento psíquico

Fisiologicamente, crescimento e desenvolvimento são fenômenos distintos, porém se avaliarmos que são paralelos no seu trajeto e unificados no seu significado, poderemos afirmar que são dois fenômenos em um só.
O crescimento significa divisão celular, portanto culmina em um aumento da massa corporal e poderá ser identificada nas seguintes unidades: g / dia, g / mês, cm / ano entre outras . Concluindo, é o aumento de uma variável de massa em (grama, quilograma) em um certo intervalo de tempo.
Desenvolvimento psíquico, em contrapartida, é o ganho de uma função (capacidade) ou seu aprimoramento em um certo período (intervalo de tempo). Como se vê, crescimento e desenvolvimento são analisados com base em determinado intervalo de tempo.
O desenvolvimento incluirá crescimento e desenvolvimento psíquico, sendo esse crescimento, biológico e o desenvolvimento, psicossociológico. Como exemplo de crescimento, temos:

a) o aumento de peso

b) o aumento da estatura;

Já de desenvolvimento psíquico infantil:

a) a fala

b) o ato de andar.


O desenvolvimento não ocorre desordenadamente, de forma aleatória. Ele está sob a influência de alguns determinantes, que podem aumentar, restringir, anular algumas fases desse desenvolvimento (biológico e psicológico). Esses determinantes podem ser sociais, econômicos e culturais. Sendo que a dimensão biológica e psicológica  são interligadas a todo instante. Exemplificando:

  1. Existem fatores psicossociais indispensáveis pro crescimento estatural normal. Caso esses fatores psicossociais faltem, poderá surgir aí a baixa estatura psicossocial.
  2. O crescimento (massa) do encéfalo e as novas capacidades psicossociológicas adquiridas  são um exemplo dessa interação .
  3. E um dos principais e que  abordaremos detalhadamente nos anexos é a desnutrição afetando o desenvolvimento físico (crescimento) e conseqüentemente o desenvolvimento psíquico (neuropsicomotor)

2 - A avaliação do desenvolvimento (físico e psíquico)

Para avaliar o desenvolvimento, é preciso coletar dados e analisá-los. Os dados essenciais são:

  1. Peso e estatura,  para avaliar crescimento.
  2. Atividades,  para  analisar o desenvolvimento psicossociológico.

A análise inclui a comparação com referências (tabelas, gráficos, esquemas), daí a conclusão sobre o desenvolvimento. Alguns destes dados devem estar obrigatoriamente no cartão da criança, sendo que o cartão inclui: curva de crescimento e ficha de acompanhamento do desenvolvimento. Mais adiante trataremos detalhadamente do cartão da criança, pois ele é o instrumento mais comum na nossa realidade.

3 - Fatores intrínsecos e extrínsecos

As influências sobre o desenvolvimento e crescimento são inúmeras, denominados aqui de fatores. O crescimento e desenvolvimento são a resultante final da interação intensa desses fatores; esses são divididos em: extrínsecos e intrínsecos.

FATORES AMBIENTAIS

Compreende-se por fatores extrínsecos, aqueles ambientais. Os essenciais são :

a) Dieta normal incluirá ingesta adequada de calorias, proteínas, água, lipídios, sais minerais e vitaminas, definidos como componentes essenciais para um crescimento satisfatório.

b) O ambiente englobará, condições geográficas e físicas, condições sócio-econômicas, urbanização, interação mãe-filho e atividades físicas.


Já como fatores intrínsecos, teremos a herança e o sistema neuroendócrino. No genótipo do zigoto encontraremos a determinação do plano para desenvolvimento psíquico e crescimento futuramente. Determinando mais adiante o fenótipo (genótipo mais ambiente). Os sistemas nervoso e endócrino interagem de maneira complexa.
O hipotálamo irá regular as secreções hormonais (eixo-hipófise-hipotálamo). Alguns desses hormônios agem diretamente sobre o próprio encéfalo e diencéfalo, alterando sua atividade e obviamente influenciando no crescimento e desenvolvimento (psíquico) do indivíduo.

 

As dimensões e os condicionamentos do desenvolvimento da criança

 

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4- Crescimento

Nos parágrafos abaixo, abordaremos o tema principal do nosso trabalho, o crescimento físico.

A Auxologia é a ciência que estuda o crescimento e vem do grego; auxo = eu cresço e logos = estudo
O crescimento é um processo dinâmico e contínuo, sujeito a variações em função do ambiente. Assim, é considerado o indicador mais importante da qualidade de vida de uma criança, sendo portanto, obrigatória sua monitorização durante toda a infância e adolescência. A monitorização do crescimento é definida como a avaliação seqüencial de medidas para o diagnóstico de crescimento de indivíduos na comunidade, a fim de promover a saúde, diferindo da vigilância do crescimento, que é a avaliação populacional. O crescimento normal, do ponto de vista biológico, compreende alterações no tamanho, na forma e na função celulares, enfim, significa o aumento físico do corpo, podendo ser mensurado em gramas, quilogramas, centímetros e metros.¹
A monitorização, por incluir uma prática regular, tende a aumentar o vínculo entre o paciente, sua família e a equipe de saúde.

4.1 - Etapas do crescimento

4.2 - Período de crescimento

  1. Pré-puberal= 10 a 12-14 anos;
  2. Puberal= 12-14 a 14-16 anos;
  3. Pós-puberal= 14-16 a 18-20 anos

4.3 - Tipos de crescimento

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4.4 - Crescimento na prática
O peso (P) e a estatura (E) são os índices  fundamentais na avaliação do crescimento. Destes, o mais utilizado é o peso, por ser de fácil obtenção, no entanto a estatura é o indicador mais seguro. Ao contrário do que ocorre com a estatura, o peso sofre influência de muitos fatores, podendo diminuir.

Existem várias medidas acessórias importantes. Dentre estas podemos citar:

  1. Segmento inferior (SI)
  2. Segmento superior (SS)
  3. Relação entre segmento superior e inferior(SS/SI)
  4. Perímetro cefálico (PC)
  5. Perímetro torácico (PT)
  6. Perímetro abdominal (PA)
  7. Perímetro braquial (PB)
  8. Prega cutânea tricipital (PCT)

4.4.a - Peso

O peso é adquirido através da balança pesa-bebês (até 15 kg) ou balança de adulto, quando acima do referido valor. Esta medida é de grande valor como indicadora do estado nutricional.

Ao nascimento, a criança pesa em torno de 3,3 Kg, sendo que nos primeiros dias há uma perda de 10% do peso causada pela eliminação de urina e mecônio e também em decorrência do jejum das primeiras horas de vida. Por volta do 10º dia de vida, o peso é recuperado. O peso dos meninos normalmente é maior que o das meninas.

  1. No primeiro trimestre, a criança ganha normalmente 700g/mês (25 a 30 gramas por dia);
  2. No segundo trimestre, ganha 500g/mês (20 gramas por dia);
  3. No terceiro trimestre ganha cerca de 400g/mês (15 gramas por dia) e
  4. No quarto trimestre ganha aproximadamente 350g/mês (10 gramas por dia).

Para a idade de menos 2 anos o grau de desnutrição usa a classificação do GOMEZ:

A classificação do Gomes usa percentis de peso/idade

A fim de se calcular o peso normal entre crianças de 3 a 12 meses, deve-se usar a seguinte fórmula:

P = Idade (em meses) X 0,5 + 4,5.

Já para crianças de 2 a 8 anos, deve-se utilizar a fórmula:

P = 2 X Idade (em anos) + 8,5.

4.4.b - Estatura

Em crianças de 0 a 4 anos de idade, a estatura é medida usando-se réguas especiais, com cursor. Após os 4 anos de idade, usa-se o cursor acoplado às balanças ou uma régua acoplada à parede e um cursor. Esta medida (estatura) é mais fiel do que o peso para se detectar anormalidades, porém é menos prática e sensível. As alterações aparecerão mais tardiamente do que em relação ao peso.
No nascimento, as crianças geralmente medem em torno de 50 centímetros, e depois:

  1. no primeiro semestre, crescem 15 centímetros;
  2. no segundo semestre crescem 10 centímetros (no final do primeiro ano, encontram-se com 75 centímetros)
  3. Entre 1 e 3 anos de idade, crescem 10 centímetros por ano, na idade de 4 anos apresentam 1 metro de estatura.
  4. Dos 3 aos 12 anos, geralmente crescem de 6 a 6,5 centímetros por ano.

Para se calcular a estatura da criança entre 4 e 12 anos, utiliza-se a seguinte fórmula:

E=(n-3) X 6 + 95

sendo que o n = idade em anos; 95 é igual a altura aos 3 anos e os 6 centímetros por ano é igual ao crescimento constante nessa faixa etária.

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4.4.c - Medidas acessórias

Perímetro cefálico (PC) pode ser medido passando-se uma fita métrica pela glabela e pelo ponto mais saliente do occipital. Esta medida reflete o crescimento cerebral, principalmente no primeiro ano de vida.

  1. No recém nascido, o PC mede de 34 a 35 centímetros.
  2. Com seis meses, o PC mede de 42 a 43 centímetros.
  3. No primeiro ano, de 45 a 46 cm.

Cerca de 80 a 85% do crescimento do PC se faz até 4 a 5 anos de idade e 35% até os 6 anos:

Trim. I:

Trim II:

Trim III e IV: 0,5 cm cada mes

A fim de se medir o PT, uma fita métrica é passada pelos mamilos, com o tórax moderadamente cheio(no meio tempo entre inspiração e expiração). Até os 2 anos de idade, o PT tem valor como índice de estado nutritivo; a seguir sofre influência de exercício. Nessa idade O PT tem a mesma medida do PC  e do PA(Perímetro abdominal). Até 6 meses, o PC é maior do que o PT; a seguir o PT é ligeiramente maior que o PC. A partir do 2 anos de idade, há um predomínio nítido do PT.

É medido passando-se uma fita métrica pela cicatriz umbilical, tem valor relativo e é geralmente correlacionado com o PC e PT.

É medido no ponto médio do braço esquerdo, mantido na posição vertical.

Equivale ao tronco e cresce de maneira constante e uniforme. Independentemente dos fatores ambientais.

É medido da sínfise púbica ao chão, sendo que corresponde ao comprimento dos membros inferiores.

A relação SS/SI mostra se o crescimento está se fazendo harmoniosamente ou não. No recém nascido a relação é igual a 1,7 (O ponto médio está na altura do umbigo). Dos 6 meses até a puberdade, as extremidades crescem mais do que o tronco sendo que o ponto médio da altura se desloca para a sínfise púbica. Aos 10 anos a relação é igual a 1.

É medida no ponto médio do braço esquerdo, mantido verticalmente (em milímetros).

4.4.d - Parâmetros do crescimento nas faixas etárias

O peso aproximado de um recém-nascido é de 3,3kg, podendo este peso cair 10% após o seu nascimento, por perda de líquido extravascular e possível baixa ingestão. Depois de 2 semanas , tendem a recuperar o peso do nascimento , crescendo 30g/dia durante o 1° mês. Os movimentos são amplamente descontrolados, exceto o olhar, movimento da cabeça e sucção. Choro ocorre em resposta a estímulos óbvios.

A velocidade de crescimento entre o 3° e 4° mês , fica mais lenta, cerca de 20g/dia . Começam a manipular objetos com as mãos, voluntariamente. Já conseguem rolar intencionalmente e o controle da cabeça melhora. 

O crescimento é mais lento. A capacidade de sentar-se sem apoio(cerca de 7 meses) e de girar quando sentado(cerca de 9 a 10 meses) proporciona oportunidades crescentes de manipular vários objetos de cada vez e de experimentar novas combinações de objetos.

A velocidade diminui ainda mais e o apetite diminui. A gordura é queimada por aumento da mobilidade. O crescimento cerebral continua, a maioria das crianças começam a deambular próximo ao seu primeiro aniversário. Algumas não andam até 15 meses. Começam a se equilibrar.

O desenvolvimento motor está aumentado, com melhoras do equilíbrio e da agilidade. Início da capacidade de correr e subir escadas. A altura e o peso aumentam em velocidade constante.

A criança ganha aproximadamente 2 kg de peso e 7 cm por ano. Abdômen proeminente do lactente achata-se e o corpo emagrece. A acuidade visual melhora. Todos os 20 dentes primários, até os 3 anos , já nasceram.

Crescimento em média de 3 a 3,5kg e 6 cm por ano. A força muscular, a coordenação e a energia aumentam progressivamente, bem como a capacidade de realizar movimentos de padrão complexo.

4.5 - Desenvolvimento somático

Fontanelas

Fontanela anterior – Fecha totalmente entre o 9° e 18° mês .
Fontanela posterior – Fecha aos 2 meses.

Subcutâneo

Aproximadamente 15% do peso de um recém nascido é representado por gordura. Aos 6 meses de vida o tecido subcutâneo (adiposo) pode representar até 25% do peso total. Até os nove meses, desenvolve-se bastante, depois diminui. A partir do primeiro ano de vida até os 7 anos de idade o percentual de gordura vai decrescendo. O subcutâneo volta a aumentar dos 7 aos 14 anos anos e depois sofre nova redução nos rapazes.

Dentição

  1. Em torno dos  6 aos 7 meses há o crescimento do 2 incisivos medianos inferiores; a seguir, 2 superiores e depois incisivos laterais superiores.
  2. Ao final do primeiro ano a criança possui 6 ou 8 dentes (há o crescimento dos 2 incisivos laterais inferiores).
  3. No segundo ano de vida se dá o crescimento dos 4 primeiros pré-molares, dos 4 caninos e 4 segundos pré-molares.Totalizando 20 dentes de leites
  4. A dentição completa-se até os 30 meses de idade.
  5. Por volta dos 6 ou 7 anos há a queda dos dentes de leite, e o nascimento dos dentes definitivos.

Idade óssea

Pode-se observar através da radiografia do punho e mão (esquerdos), através desta estuda-se o aparecimento de núcleos de ossificação. Usa-se o método de Tanner e White – Head que dá a porcentagem de maturação.

Desenvolvimento da massa magra

A massa magra é constituída por água, minerais, proteínas e substâncias residuais. Visto que a velhice é vista como uma desidratação progressiva, conclui-se que quanto mais jovem o indivíduo, maior a porcentagem de água no seu organismo. No nascimento, o bebê possui cerca de 79% do seu peso corporal , dado pela água e na idade adulta , chega a 56%. Isso se deve a queda da porcentagem de água extracelular, de 44% cai para 17% aos 20 anos. Mas a água intracelular não varia tanto, mantendo-se constante ao longo do crescimento.  O Sódio e Cloro (extracelular) diminuem com o crescimento. As concentrações de minerais e proteínas no líquido intracelular são relativamente importantes por influenciarem diretamente na composição corporal

Desenvolvimento dos órgãos internos

O desenvolvimento músculoesquelético se dá da seguinte forma, o recém-nascido já nasce com um número fixo de fibras musculares (geneticamente), com o crescimento essas fibras vão crescendo tanto no comprimento quanto na largura além de um arranjo em feixe de fibras. O tamanho e largura serão determinados por dois principais fatores: nutrição e atividade física. Aumenta-se nas fibras, concentrações de proteínas, potássio e fosfato.

O que diferencia o músculo feminino do masculino são os hormônios sexuais. A pele por ser o segundo  maior tecido do corpo, sua composição química é que determina a composição corpórea.

O recém-nascido tem:

O cérebro do recém-nascido

Possui 90% de água, contra os 77% do adulto.

Possui duas fases de multiplicação rápida de células;

  1. a primeira ocorre nas primeiras 18 semanas de gestação (neuroblastos que serão diferenciados em neurônios);
  2. a segunda corresponde à  multiplicação glial, cujo aumento condiciona a elevação celular dos neurônios.

O número de células no sistema nervoso não gera diferenças no desenvolvimento mental, no caso de concentrações diferentes de células em indivíduos de uma mesma idade. O fígado ao longo do seu  crescimento,  a concentração de água diminui e a de proteínas aumenta. Seu peso assim como o tamanho, também aumenta. No rim o número de néfrons é fixo desde o nascimento, concentração de proteínas aumentam ao longo do crescimento assim como o tamanho das células.

4.6 - Interpretação do crescimento (tabelas, gráficos e percentil)
A interpretação do crescimento se dá através da análise da curva de crescimento, presente em gráficos. Aqui abordaremos alguns gráficos e o cartão da criança.


4.6.a - Percentil
Na clínica pediátrica o percentil é a escala mais utilizada, devido à sua simplicidade. É a percentagem de indivíduos no grupo que atingiram determinada quantidade de medida ou marco do desenvolvimento. Para dados antropométricos, os limites de percentil podem ser calculados a partir da média e do DP (Desvio-padrão). Para os marcos do desenvolvimento, os percentis freqüentemente são exibidos em quadros, derivados de gráficos representando idade (eixo X) contra a percentagem de indivíduos que atingem o determinado marco (eixo Y).

 


Em síntese, situa a posição do indivíduo em relação ao grupo de referência. Por exemplo, pelo gráfico uma criança do sexo masculino, de cinco anos de idade, que mede 110 cm, tem sua estatura no percentil 50. Isto significa que ele é aproximadamente maior que 50% e menor que 50% dos indivíduos (de acordo com a tabela de referências). Se sua estatura fosse 106 cm estaria no percentil 25, sendo, portanto, menor que 75% e maior que 25% das crianças de mesmos sexo e idade da curva de referência.


4.6.b - Tabelas e gráficos
Algumas tabelas e gráficos servem como referência para a interpretação do gráfico de peso e altura da criança. A utilização deles é muito importante para os médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.

A altura em centímetros e o peso em kilogramas em crianças de 0 a 48 meses de idade cronológica . Sexo masculino. Percentis 2,5; 10; 25; 50; 75; 90; 97,5.

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A altura em centímetros e o peso em kilogramas em crianças de 0 a 48 meses de idade cronológica . Sexo feminino. Percentis 2,5; 10; 25; 50; 75; 90; 97,5

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A altura em centímetros e o peso em quilogramas em crianças e adolescentes (de 4 a 20 anos de idade cronológica). Sexo masculino. Percentis 2,5; 10; 25; 50; 75; 90; 97,5

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A altura em centímetros e o peso em quilogramas em crianças e adolescentes(de 4 a 20 anos de idade cronológica). Sexo feminino. Percentis 2,5; 10; 25; 50; 75; 90; 97,5

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4.7 - Cartão da criança e sua interpretação
O cartão da criança foi elaborado pelo Ministério da Saúde para acompanhar o desenvolvimento físico e psicomotor. No cartão da criança se encontram os meios para  acompanhar esse  desenvolvimento físico e psicomotor, as doenças apresentadas e as vacinas recebidas, do nascimento aos 5 anos. O cartão deve ser usado pelos pais e pelos profissionais que atendem a criança, devendo ser levado, preenchido e avaliado em cada consulta e em cada visita do agente comunitário de saúde.
Toda criança recebe um único cartão. Existe um masculino (azul) e um feminino (vermelho) pois  o desenvolvimento físico destes é diferente.

 

Cartão da criança (masculino), distribuído pela pastoral da criança.

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O Cartão é constituído de um gráfico Peso-idade com uma legenda, explicando que a curva deverá ser sempre ascendente, indicando bom estado nutricional da criança. A curva estacionária, indica perigo, a criança aí, está no limite da nutrição, necessitando de cuidados. Já a curva em sentindo descendente indica grande perigo, significando que a criança se encontrada desnutrida. O gráfico vai de 0  a 5 anos ou 0 a 60 meses e o peso varia de 0 a 22 quilogramas.
Os percentis são : 97; 10 e 03 .

Quando a criança está no pecentil 97, indica que esta criança está com o peso  acima de 97% das crianças
Quando a criança está no percentil 10, significa que está criança está com o peso abaixo de 90% das crianças e acima de 10% das outras crianças.
Quando está no percentil 03, indicará que 97% das outras crianças estão com o peso acima do dela e que 3% estão abaixo.

Ainda no cartão, encontraremos um cartão de vacina com suas devidas doses, além de referências sobre o desenvolvimento físico-motor.

O Ministério da Saúde optou por um ponto de corte de alta especificidade.

Define que a criança tem peso baixo para sua idade quando apresenta menos de -2 desvios-padrão de peso para idade (corresponde aproximadamente ao percentil 3) e criança com peso muito baixo para sua idade a que apresenta -3 desvios-padrão ou menos de peso para idade (abaixo do percentil 1), o que é muito semelhante ao que recomenda a Organização Mundial da Saúde. Nos primeiros meses de vida, a avaliação de rotina do ganho de peso deve ser feita no intervalo mínimo de 5 a 10 dias e o comprimento, medido a cada 30 dias, porque o crescimento não é uniforme. Em períodos menores, não se verifica a expressão do crescimento. Em pré-escolares e escolares, que crescem com uma velocidade menor, a avaliação da velocidade de crescimento linear deve ser realizada a cada 4 a 6 meses. Considera-se um sinal de alerta a velocidade de crescimento menor que 4 cm por ano para o pré-escolar e o escolar.
Qualquer perda de peso ou ganho insuficiente de peso ou de altura durante a infância é anormal. Não é preciso que a criança chegue abaixo do percentil 3 para se estabelecer o diagnóstico de desnutrição ou baixa estatura. A linha de crescimento, de peso ou de altura, que se apresenta retificada, ou que começa a se afastar de sua curva original é um sinal de alerta para problemas no crescimento.
Os prematuros e pequenos para a idade gestacional constituem, especificamente, um grupo de risco para apresentar déficit de crescimento. Vários estudos mostram que 50% das crianças que nascem pequenas para a idade gestacional e não recuperam sua altura até os dois anos de idade permanecem com baixa estatura no decorrer de toda a vida. Daí a importância de se concentrar todos os esforços para que lhes sejam oferecidas condições adequadas de vida.
Por apresentarem velocidades de crescimento maiores que os demais lactentes, a sua linha de crescimento deve ter uma inclinação mais ascendente que o padrão de referência. No entanto, a própria condição de prematuridade e de inadequação de peso ao nascimento indica a possibilidade de existirem agravos específicos que podem ou não persistir após o nascimento. Estes agravos provocam danos mais severos nestes lactentes, exatamente porque atuam num período de crescimento tão acelerado. Durante o seguimento, o principal sinal de alerta nestas crianças, é a alteração da velocidade de crescimento em relação ao ritmo acelerado esperado. “
A mãe deve saber interpretar o gráfico do seu filho. Esta orientação deve ser dada pelo médico, enfermeiras ou agentes de saúde.
Deve estar com o cartão da criança em mãos e saber marcar no gráfico o peso do filho, de acordo com as pesagens, formando então uma curva que deve ter sentido ascendente, nunca estacionário ou descendente. Há no cartão, uma legenda dizendo para se marcar a ocorrência nos mês correspondente:
A – Início da introdução de outros alimentos
D – Diarréia
P – Pneumonia
H – Hospitalização
O – Outra doença

5 - Desenvolvimento (Funcional)
Desenvolvimento funcional significa o aumento da capacidade do indivíduo de realizar funções cada vez mais complexas, aprimorando o controle neuro-muscular, destreza e traços de caráter. O conhecimento do processo de desenvolvimento colabora para a detecção precoce dos traços e desvios que pode acometer a criança.

5.1 - Características gerais do desenvolvimento

É um processo contínuo, segue fases, obedece uma sequência fixa e invariável , direção céfalo-caudal e próximo-distal , procedendo de atividades gerais às específicas.

5.2 - Fatores determinantes

A interação de fatores intrínsecos (orgânicos) e extrínsecos (ambientais) é que determina e influencia o processo de desenvolvimento no ser humano . Entre esses fatores, como já foi dito, temos os genéticos, fatores neuroendócrinos, ambientais, nutricionais e atividade física.

5.3 - Acompanhamento do desenvolvimento

Através dos relatos dos pais e da observação direta durante a anamnese e exame físico é que viabiliza a possibilidade de avaliar e testar as aquisições neuropsicomotoras.
A teoria de Gessell se refere á conduta da criança como sendo todas as reações reflexas, voluntárias, espontâneas ou aprendidas. O teste tem como objetivo determinar se o desenvolvimento está ou não dentro dos limites da normalidade, avaliando conforme 4 condutas básicas:


1 – Motora
2 – Adaptativa
3 – Linguagem
4 – Pessoal-social

A conduta motora implica em questões de ordem neurológica e a estimativa do grau de maturidade. A conduta adaptativa refere-se à adaptação da criança diante de objetos e situações que lhe são propostas.A conduta de linguagem inclui toda a forma de comunicação visível e audível, bem como a compreensão do que dizem outras pessoas.
A conduta pessoal-social, diz respeito às reações individuais da criança diante de outras pessoas.

5.4 - Fases do desenvolvimento

A primeira infância é o período de vida que se estende desde o nascimento até os três anos de idade, desenvolvimento de habilidades físico motoras, linguagem, descoberta do próprio corpo e do meio ambiente.
A segunda infância é o período que se estende dos três anos até os seis ou sete anos. Idade pré-escolar, organização e consolidação das atividades adquiridas na primeira infância.
A terceira infância é o período de vida que se estende dos sete aos doze anos. Possui solidamente configurada, toda uma estrutura de comportamento.

5.5 - Desenvolvimento físico-motor

Na primeira infância temos um crescimento físico rápido e variado, aparecimento dos movimentos controlados de partes específicas do corpo. Coordenação visual da cabeça; capacidade preensiva e desenvolvimento da marcha bípede. Fase áurea do desenvolvimento motor.
Na segunda infância temos o crescimento físico mais lento ou menos acelerado. Habilidades adquiridas serão desenvolvidas até se tornarem mais complexas e refinadas.Apresenta grande exuberância motora. 
A terceira infância, o crescimento é menos acelerado; mudança da dentição temporal pela permanente, o amadurecimento de grandes e pequenos músculos possibilita praticar um grande número de atividades altamente coordenadas. Maturidade psicomotriz para leitura e escrita.

5.6 - Desenvolvimento social

Durante a primeira infância, os primeiros contatos sociais visam a satisfação das necessidades básicas. A mãe representa o primeiro veículo de estimulação social; círculo familiar representa o primeiro ambiente social que lhe transmitirá todo o comportamento socializado básico de sua comunidade.
Na segunda infância passará a perceber as atitudes em valores do grupo, desenvolvendo condutas socializadas e cooperativas. Formas sociais de comportamento; brigas e contendas; negativismo; tipificação social.
A terceira infância há uma interação cooperativa, a escola e grupos de iguais são as duas entidades fundamentais à socialização infantil. Temos também a relação professor-aluno e aluno-aluno. Deseja ser aceito e tende a deixar de lado as normas estabelecidas pela família.

5.7 - Desenvolvimento emocional

Durante a primeira infância apresenta uma excitabilidade generalizada ao nascer; com poucos dias de vida seu repertório emocional vai se diferenciando e aos 24 meses suas atividades já possuirão o colorido emocional das várias emoções. É muito importante a companhia da mãe e cuidados individualizados.
Na segunda infância a maneira que a criança adota para expressar suas emoções, dependerá dos padrões específicos do seu grupo social, assim como dos tipos de reações que lhe darão maior satisfações das necessidades.
Na terceira infância os valores emocionais, sofrem uma análise racional, deixando de ser egocêntrica. Há o  respeito mútuo , honestidade e justiça.

5.7 - Desenvolvimento moral

A primeira infância é a fase amoral impulsiva, vivendo em função dos seus impulsos para satisfação de suas necessidades. De 1 a 3 anos há o predomínio do egocentrismo e domina seus impulsos para evitar castigos e para receber recompensas.
Na segunda infância existe uma consciência moral primitiva, atitude de heteronomia ou passividade na aceitação do código moral adulto, considerando-o sagrado e imutável. A introjeção dos valores morais se faz pelo medo ou castigo.
Durante a  terceira infância , o grupo de companheiros , substitui a ação moralizante dos pais . Há uma consciência moral autônoma.

5.8 - Desenvolvimento do pensamento e da inteligência (Cognitivo)

Na primeira infância é o período sensório-motor: estágio dos reflexos, estágio da organização das percepções, hábitos e inteligência prática. Período pré-operacional (2 anos ) , inteligência abstrata e simbólica .
A segunda infância é o período pré-operacional, incluindo um pensamento egocêntrico (jogo simbólico) e também o pensamento verbal (finalismo, animismo e artificialismo), pensamento intuitivo ou pré-lógico.
Terceira infância é período operacional concreto (incluindo pensamento operacional completo), representação de coisas e ações; conservação, seriação, relação simétrica e classificação.

5.9 - Sinais de alerta

O cartão da criança de uso obrigatório nas instituições Públicas de Saúde, representa um excelente instrumento, onde são registrados importantes dados que possibilitam a avaliação do crescimento e desenvolvimento . Os pais podem comparar por esse cartão o que aproximadamente deveria estar acontecendo com seu filho e se estiverem bem orientados, saberão como agir. A ausência de ganhos esperados para a idade, deve chamar atenção para as necessidades de observações mais freqüentes e para identificação de suas eventuais causas.
Nos distúrbios do desenvolvimento deve-se lembrar que uma criança pode crescer e não se desenvolver (síndrome de Down) e vice-versa (exemplo a Acondroplasia)
O uso do álcool pode acarretar distúrbios no desenvolvimento infantil, sendo de alto risco esta ocorrência durante a gravidez.
A síndrome alcoólica fetal é conhecida no ocidente por ser umas das causas de retardo mental mais freqüente O diagnóstico dessa síndrome é feito quando três características clínicas são encontradas juntas;

Este diagnóstico é difícil de ser feito com crianças menores de dois anos pois tem sido descrito que o atraso de desenvolvimento acentua-se e fica mais facilmente perceptível com o passar do tempo .
Fatores ambientais podem predispor a algum tipo de atraso no desenvolvimento motor (demora a sentar ou andar), devido a pouca estimulação.
Já o retardo do desenvolvimento de causa não orgânica é uma desordem reativa de relacionamento em que todo meio que cerca a criança deve ser investigado. É sabido que o mau vínculo ou a falta deste entre mãe e filho, pode predispor a este risco.

6 - Fatores primordiais que influenciam no Desenvolvimento psíquico e crescimento

Os principais fatores como já foi dito acima, são:

Neste tópico do trabalho, abordaremos os de suma importância no nosso trabalho comunitário.
Já abordamos os Fatores genéticos, neuroendócrinos. Começaremos abordando um fator essencial no desenvolvimento da criança, principalmente para o crescimento satisfatório.

6.1 - Fator nutricional (Importância da alimentação no crescimento físico e desenvolvimento psíquico)

 

6.1.a - Conhecimentos básicos e Importância da alimentação

           
Alimentação normal é a que garante a composição normal da matéria viva. A composição química do organismo da criança é diferente em cada etapa de seu crescimento, por isso as necessidades alimentares também variam.
Nutriente é toda substância indispensável da alimentação, sendo que sua ausência gera doença e morte.
Alimento é o veículo do nutriente; todos os alimentos são conduzidos pelo metabolismo a uma via comum: o ATP que é a fonte de energia para as células.
Para que a alimentação seja normal, ela deverá obedecer quatro postulados:

O requerimento energético da célula é garantido pelo ATP, que é a forma única de estoque de energia da célula e pelo qual são conduzidos todos os alimentos energéticos pelas transformações metabólicas. O fundamental da nutrição não é os alimentos, e sim os nutrientes.
Para que a criança fique bem nutrida, ela deve seguir uma dieta que atenda suas necessidades orgânicas e fisiológicas.
A nutrição é todo um processo ao qual nossas funções vitais estão subordinadas, e que através deste processo substâncias orgânicas e inorgânicas, componentes vegetais e animais são incorporados ao nosso organismo.
Aos nutrientes também se atribui um papel fundamental: do crescimento e desenvolvimento.A criança tem um metabolismo protéico bem ativo, o que contribui para o aumento de suas necessidades energéticas. Quando a criança está passando pelos seus primeiros anos de vida, sua atividade muscular é muito intensa, e suas perdas calóricas são muito acentuadas, estas são proporcionais a maior superfície relativa do corpo. No início da vida infantil, a criança apresenta uma dependência total dos adultos, pois o alimento só terá acesso à criança com pouca idade por meio de ações adultas, nestas ações de “doar” o alimento a criança deve-se ter preocupações com: a qualidade e a quantidade alimentar, e também o modo de administração deste alimento.
Se o adulto não tiver tais cuidados com alimentação das crianças dependentes, estas podem ter sua saúde danificada fisicamente (ficando mal-nutrido) e psicologicamente.
As necessidades nutricionais de cada criança variam pelo: ambiente e pela constituição infantil. O estado nutricional deve ser avaliado através da anamnese alimentar e de outros dados fornecidos pelo exame físico como: ganho de peso e estatura, pele lisa e brilhante, cabelo lustroso, bom desenvolvimento e tônus muscular, saúde dental, olhos límpidos, boa postura, e um estado de alerta e curiosidade.A nutrição é um processo que tem uma íntima relação com fatores físicos, psíquicos, intelectuais, emocionais e sociais. Com base nisto podemos perceber que situações, as quais parecem constituir uma problemática apenas nutricional, podem ter como causa outros determinantes, como: causas emocionais ou sociais.
A conduta alimentar tem início nos primeiros dias de vida e se modifica nas diversas fases do processo de crescimento e socialização infantil. As crianças que apresentam um déficit nutricional podem ter alterações em várias funções orgânicas, o que pode diminuir a tolerância alimentar, a eficiência do processo imunológico, e criar uma resistência aos agravos do ambiente físico e a estabilidade emocional. É de fundamental importância que o profissional de saúde saiba avaliar a propedêutica alimentar, pois por meio desta pode-se identificar: problemas orgânicos e psicossociais.

6.1.b - Alimentação Ideal

Para que a criança tenha uma alimentação ideal, estas devem ser regidas por alguns princípios gerais:
1. Atender as necessidades energéticas ou quantitativos: a quantidade de alimento que deve ser ingerida , será apenas aquela que faça a criança se sentir satisfeita e que fundalmentalmente atribua um brando crescimento e desenvolvimento. A anorexia pode estar surgindo se a criança satisfaz seu apetite, mas não se desenvolve adequadamente.A obesidade pode aparecer quando a criança aceita quantidades alimentares maior do que precisa.
2. Ser adequada em relação a intervalos ou horários e número de refeições diárias: A criança deve receber sua alimentação quando tiver fome e esta pode ser manifestada pelo choro. Nos primeiros anos de vida, deve-se estipular um horário alimentar flexível, auto-regulado e contínuo.
3. Apresentar correlação adequada: os nutrientes que são essenciais: H2O, carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais e vitaminas devem estar inclusos na dieta alimentar em quantidade suficientes.
4. Ser constituída por leite materno nos primeiros meses vitais: o leite materno é o único alimento que atende a todas as necessidades nutricionais da criança seguramente; influi também no estabelecimento de um grande vínculo emocional entre mãe-filho. Corresponder à capacidade digestiva nos vários períodos de desenvolvimento.
5. Introduzir alimentos novos de modo progressivo: o que visa a tolerância gastrintestinal, sensibilidade alérgica e o paladar
6. Alimentação ser tão variada quanto possível: o que dá a oportunidade da criança ter contato com todos os nutrientes de que precisa e ainda faz prevenção à anorexia.  Equilibrar a tendência laxante e obstipante alimentar.
7. Ministrar os alimentos com técnica adequada à sua boa aceitação , bem como à boa formação psíquica da criança: são as condições para que se tenha uma boa aceitação dos alimentos, seu sabor, temperatura ambiente agradável , iluminação ruídos, odores, situação confortável do corpo, ritmo adequado de administração e temperatura adequada alimentar. Deve-se fazer com que o ato da alimentação não seja causa de agressão à criança, aprendendo a respeitar a recusa alimentar.

6.1.c - Amamentação

A primeira refeição do recém-nascido é o leite (materno ou não). Os médicos têm o papel centrar de estimular as mães no sentido de amamentarem. Com isso, dele deve proporcionar tanto suporte psicológico como conhecimentos técnicos na difícil arte de amamentar.Segundo a Organização Mundial de saúde, o aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida, não necessitando o recém-nascido, receber água, chás ou outros alimentos. Após os seis meses, é recomendado acrescentar alimentos complementares além da amamentação, sendo que esta deve ser mantida até os dois anos ou mais. Falaremos mais sobre esta alimentação complementar adiante.
O leite materno tem imensas vantagens  para o recém-nascido , pra mãe , pra família e pra sociedade estas podemos citar:

6.2 - Fatores ambientais
Dentro de fatores ambientais, encontramos:

6.2.a - Condições geofísicas
A geografia influencia de certa forma no crescimento e desenvolvimento da criança. Vejamos crianças que moram em extremos, uma morando em local extremamente quente e outra em um lugar extremamente frio. Condições climáticas alteram o metabolismo, hábitos alimentares, propensão a doenças entre outros. Cada uma terá um rítimo de vida, formas distintas se interagir com as pessoas , conseqüentemente desenvolvimentos distintos.

6.2.b - Condições sócio-econômicas
Existe no nosso planeta um grande disparate na distribuição de renda. Muitos com pouco e poucos com muito e isso afeta a todo momento o crescimento e desenvolvimento. Uma criança que vive em condições precárias, sem saneamento básico, educação sanitária, higiene, provavelmente apresentará algum tipo de patologia (parasitoses por exemplo)  ou até crescimento insatisfatório. Percebe-se isso nos bolsões de pobreza do mundo, nos quais a maior causa de morte em crianças menores de cinco anos de idade, é a deficiência protéico calórica. Portanto este fator contribui diretamente para o crescimento e desenvolvimento do indivíduo.

6.2.c - Interação mãe-filho
A interação mãe-filho é um fator essencial para o desenvolvimento psíquico da criança. Sem essa relação, provavelmente a criança no futuro, poderá apresentará alguma psicopatologia. A estrutura familiar é importante, visto que fornece base para o indivíduo, mostrando-lhe como se portar perante as pessoas e viver em sociedade. Além da questão do afeto e sentimentos.
A criança que se sente amada, acolhida, protegida, consegue ter um convívio melhor com outras pessoas e no futuro, possivelmente terá um bom convívio com os próprios filhos. A mãe deve transmitir carinho para seu filho e muita atenção, favorecendo então um desenvolvimento psíquico e crescimento, satisfatórios.

6.2.d - Atividade física
Esta deve ser vista sob dois aspectos. Uma atividade física não programa, que é o ator da criança brincar com outras, correr, pulares, passear, estar sempre em movimento , a outra é a atividade física programa(natação, vôlei, futebol, dança,competições,esportes em geral). Esta atividade física programa, deve ser estimulada pelos pediatras, visto que contribuiu para o desenvolvimento de qualidades puramente físicas como força, flexibilidade, resistência, equilíbrio, velocidade.
Qualidades físico-psíquicas como capacidade de concentração, relaxamento e coordenação também são favorecidas pela atividade física programa. Por último a atividade física programa, contribuirá em qualidades psicossociais como força de vontade, disciplina, domínio de si mesmo, coragem, confiança, solidariedade, respeito às leis.

6.2.e - Doenças que interferem no crescimento
São inúmeras as patologias que podem aflingir um indivíduo em desenvolvimento e apartir daí atrapalhar o desenvolvimento físico e psíquico deste. Listamos algumas e abordaremos as principais parasitoses intestinais e pneumonias agudas que atingem principalmente crianças e recém-nascidos. Algumas são fáceis de ser tratada e ainda assim causam morte, por falta de informação e acesso à saúde e educação.


Afta
Eritema infeccioso
Pediculose
Febre Amarela
Escabiose
Amigdalite e Adenoidite
Ancilostomíase
Anemia
Pneumonias
Ascaridíase
Poliomelite
Asma
Prisão de ventre
Fimose
Raquitismo
Resfriado
Furunculose
Rinite
Broncopneumonia
Rubéola

Bronquite
Giardíase
Salmonelose
Gripe
Catapora ou Varicela
Hepatite
Sarampo
Caxumba
Cistite
Impetigo
Sinusite
Conjuntivite
Coqueluche
Laringite
Teníase
Corrimento vaginal
Crupe
Meningite
Tétano

Desnutrição
Mononucleose
Toxoplasmose
Diabete
Nefrose
Tuberculose
Diarréia
Obstipação
Urticária
Difteria
Opilação
Varicela
Disenteria amebiana
Otite
Varíola
Disenteria bacilar
Oxiurose
Virose
Eczema
Paralisia infantil

 

As parasitoses intestinais constituem um problema de grande importância no cenário da saúde pública do Brasil assim como as pneumonias agudas. As más condições de vida de grande parte da população, com relação à habitação e saneamento básico, associadas a um sistema educacional precário, favorecem a alta prevalência de doenças parasitárias nas crianças. As protozooses e as helmintíases ganham destaque epidemiológico entre as formas encontradas no país.
É de extrema importância o fato das parasitoses intestinais propiciarem o aparecimento ou o agravamento da desnutrição entre as crianças, o que já constitui por si só um grande problema de saúde. São diversos os mecanismos patogênicos pelos quais os parasitas intestinais levam ao quadro de desnutrição, podendo-se citar a lesão da mucosa intestinal, como é o caso da giardíase.
A sintomatologia causada pelos parasitas apresenta grande semelhança na sua maioria, o que muitas vezes dificulta um diagnóstico clínico preciso quanto ao agente etiológico. É grande a variedade de sintomas inespecíficos comuns à grande maioria dos patógenos, podendo-se mencionar anorexia, irritabilidade, distúrbios do sono, náuseas, vômitos ocasionais e alterações do hábito intestinal.

 Abaixo listamos algumas patologias:

A giardíase é uma protozoose, com maior prevalência nos países  subdesenvolvidos. Acomete principalmente crianças de 8 meses a 10-12 meses,  devido à falta de hábitos higiênicos nesta idade associada às precárias condições sanitárias que favorecem a transmissão da doença.
No Brasil, a giardíase apresenta uma prevalência de 4% a 30%, sendo importante causa de diarréia na infância. Em algumas populações, a giardíase acomete até 50 % dos indivíduos.
O agente etiológico desta protozoose é a Giardia lamblia, A G. lamblia é um parasita monoxeno de ciclo direto. O homem é infectado através da ingestão de cistos em água ou alimentos contaminados. Dentre as queixas mais comuns estão a diarréia e a dor abdominal epigástrica ou periumbilical de aparecimento agudo. Estão associadas à irritabilidade, perdas de apetite, esteatorréia e ao emagrecimento.  A profilaxia para giardíase baseia-se na higiene pessoal, proteção dos alimentos e tratamento da água.

A amebíase representa um importante problema de saúde pública que leva ao óbito anualmente cerca de 100.000 pessoas, constituindo a segunda maior causa de morte por parasitoses.  A Entamoeba histolytica é o agente etiológico da amebíase. O ciclo da amebíase inicia-se com a  ingestão de cistos maduros, junto a alimentos e água contaminados e depois se alojando no intestino grosso.
A falta de higiene domiciliar pode propiciar a disseminação do parasita dentro da família.
A forma intestinal da infecção pela E. histolytica pode ser assintomática ou manifestar-se de maneira clássica, a chamada colite não disentérica, caracterizada por 2 a 4 evacuações por dia, diarréicas ou não, às vezes contendo muco ou sangue, desconforto abdominal ou cólicas na região epigástrica e alternância com períodos silenciosos, com funcionamento normal do intestino.
A profilxaxia está intimamente ligada à educação sanitária e condições de saneamento básico da população.

Pneumonia aguda é o nome genérico utilizado para definir uma variedade de processos inflamatórios do parênquima pulmonar por agentes infecciosos e não-infecciosos. Em 1997, no Brasil, houve 7.833 mortes por doenças do aparelho respiratório em menores de 5 anos de idade, das quais cerca de 73% (5.729 óbitos) foram por infecções respiratórias, correspondendo a 6,85% do total de óbitos.
Nesse período, excluindo-se as mortes por afecções perinatais, as doenças do aparelho respiratório foram a primeira causa de mortalidade nessa faixa etária nas regiões Sudeste e Sul e a segunda nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Além disso, constata-se que as infecções respiratórias agudas são responsáveis por cerca de 40 a 60% das consultas em menores de 5 anos de idade, enquanto as pneumonias representam apenas 8 a 12% desses atendimentos, fato este que contrasta com a alta mortalidade por pneumonia. 
Os fatores que interferem nos mecanismo de defesa da criança, tais como a alta prevalência de baixo peso ao nascer e de desnutrição, a privação ou curta duração do aleitamento materno, a falta de imunização, principalmente contra sarampo, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo b .
Outro fator de risco importante a ser pesquisado é a presença de tabagistas no domicílio, pois está comprovado que a fumaça de cigarro, por ser uma substância irritante das vias aéreas, favorece a instalação de infecções respiratórias altas e baixas. Os vírus e as bactérias são os principais agentes etiológicos das pneumonias nas crianças de qualquer idade. Nas crianças abaixo de 2 meses de idade, predominam o estreptococo do grupo ß e os bacilos gram-negativos, particularmente a Escherichia coli; nas crianças de 2 meses a 5 anos de idade, há um largo predomínio do Streptococcus pneumoniae (pneumococo), seguido pelo Haemophilus influenzae e, mais raramente, pelo Staphylococcus aureus e, nas crianças acima de 5 anos de idade, os mais importantes são o pneumococo e Mycoplasma pneumoniae.

CONCLUSÃO

Ao longo deste trabalho, concluímos a importância da avaliação do crescimento físico infantil, por ser este um indicador importante da qualidade de vida de uma criança. Através de seu monitoramento por gráficos, tabelas e percentis, é possível determinar a seqüência de medidas para o diagnóstico para o crescimento infantil, a fim de promover a saúde das mesmas.
Destacamos também, a primazia do acompanhamento do processo de desenvolvimento infantil, para a detecção precoce dos traços e desvios que podem acometer a criança, nas suas diversas etapas.

MISODOR 27 DE ABRIL 2008