DISTURBIOS DE EQUILIBRIO ACIDO-BASICO

SAIR

 

Primeira etapa em avaliar um disturbio acido basico, o que a gente pode obter rapido e a gasometria. o que, normalmente acaba indicando um pH do sangue, em função do qual nos vamos definir se tem uma acidemia ou uma alcalemia.

Normalmente, o pH do sangue e de 7,42, precisamente um intervalo de tolerancia entre 7,38 e 7,42.

        1. Se o pH do sangue for < 7,38 temos uma acidemia
        2. Se o pH do sangue for maior que 7,42 temos uma alcalemia
 

Então a acidemia sera caracterizada pelo pH < 7,38 e e causada pela ACIDOSE. pelo contario, a alcalemia, caracterizada pelo sangue com pH > 7,44 e causada pela ALCALOSE. E importante não confundir acidemia com acidose e alcalemia com alcalose.

Principalmente, nesta historia de desequilibrio acidobasico temos que avaliar os parametros seguintes:

    1. pH sanguineo
    2. pACO2
    3. Bicarbonato serico (HCO3)

A ACIDEMIA

Ela pode ter origem respiratoria ou metabolica. O problema e como podemos saber se e respiratoria ou metabolica?

Basicamente, começando com a caracteristica mais alterada. Por exemplo, se tivermos pH de 7,30 com pACO2 de 80 e o bicarbonato e de 19. Tá tudo alterado, mas o mais alterado e o pCO2. O disturbio primario (aquele que surgiu primeiro) e o disturbio mais intenso.

Se tiver, pelo contrario, uma alcalemia, o raciocinio e o mesmo. havendo uma alcalemia com um pH 7,46. Pode ser uma alcalemia causada pelo disturbio respiratorio ou metabolico. O mesmo raciocinio, vendo qual principio e mais alterado define o tipo causal de alcalemia. Se eu achar o bicarbonato de 40 e o pCO2 de 38, provavelmente que a alcalemia tem causa metabolica. O que aconteceu na parte respiratoria (a queda de pCO2, que normalmente tem que ser uns 40 mm Hg) e secundario.

I) A ACIDEMIA RESPIRATORIA

Neste caso, e o PCO2 que esta acima do normal. isto e, maior que 42. As questoes a respeito de uma acidemia de origem respiratoria (frequente um paciente com BPOC retentor de CO2, ou paciente que toma depressores de sistema nervoso central, deixa de ventilar direto, retem, CO2 e desenvolve acidemia por acidose respiratoria).

Nesta situação o que que e importante eu definir?

Ja que sei que a acidemia e de causa respiratoria (porque o CO2 esta elevado) temos que ver se esta acidemia e cronica ou e aguda. E importante saber se este paciente tem este disturbio de muito tempo ou ele começou agora?

Como vamos diferenciar isto?

Quando tem retenção de CO2 a acidose respiratoria ja começa a se desencadear, e o organismo ja desencadeia mecanismos compensatorios para contrabalançar. A unica solução para a sistema de homeostasia e contrabalançar a acidose respiratoria com uma alcalose metabolica que tende a trazer o pH no nivel normal, isto e, corrigir a acidemia.

Porem, demora um tempo (precisamente, uns 2 dias) para esses mecanismos comecem a funcionar. (de fato, trata-se de uma ativação renal) - o rim muda a função dele no sentido de maior reabsorção e sintese de bicarbonato.

Seguindo esta logica, e claro que, no caso de disturbio agudo, por causa da intensidade das modificações e por causa da demora da actividade do rim de equilibrar a acidose, o pH estara muito mais modificado. Com outras palavras, se o rim ja equilibrou parcialmente a acidose e porque ela esta mais antiga, e deu tempo que os mecanismos da homeostasia agirem - isto e, o disturbio não e mais agudo.

Como que aparece um tal de "compensação" renal? Seguindo a mesma logica, e normal aparece uma pressão de CO2 muito alterada, mas, paradoxalmente, o pH não parece tão modificado. e porque o rim ja tive tempo de agir e "equilibrar" esta mudança.

Mas isto, por enquanto e bem equivoco. PRATICAMENTE, como que definimos cada situação?

ATENÇÃO, PORQUE ISTO E SUPER-IMPORTANTE !!!!!!!!

Por cada 10 mm Hg CO2 retido, quando disturbio e cronico, a queda do pH e de 0,03.

Por cada 10 mm Hg CO2 retido, quando o disturbio e agudo, a queda de pH e de 0,08.

Tem que decorar isto, não tem jeito.

Não se deixa enganado do valor 0,08, parece um desvio muito pequeno, porque o pH e um parametro que tem a ver com a escala logaritmica.

Causas mais frequentes de acidose respiratoria:

Causa mai frequente: HIPOVENTILAÇÃO

    1. Depressão SNC (opiodes - inibem o centru respíratorio, com bradipneia, retenção CO2)
    2. Pneumotorax (a respiração não pode ser eficiente por causa do colapso)
    3. Doenças pulmonares (pneumonia muito extensa)
    4. Doenças musculo-esqueleticas:
        • Cifoescoliose - normalmente cronica
        • Guillain Barré - normalmente aguda
        • Miasthenia gravis - cronica tambem

II) A ALCALOSE RESPIRATORIA

A alcalose respiratoria e definida quando o pACO2 < 38 (hiperventilação, por exemplo). ela pode ser aguda ou cronica do jeito que a acidose tambem é.

A mesma situação pode ser definida em caso de ALCALOSE RESPIRATORIA. O mesmo mecanismo de compensação renal - demorado - vai fazer, que, em caso que aparece alcalemia, aumente a perda de bases, para equilibrar com uma acidose metabolica a alcalose respiratoria. Então, vamos usar a mesma variação do pH (desta vez, aumento) em função - desta vez - da diminuição do pACO2.

Causas mais frequentes de alcalose respiratoria:

HIPERVENTILAÇÃO:

EXEMPLO:

Um paciente apresenta, na gasometria, um pH de 7,35 e um pACO2 de 70 mm Hg, enquanto o bicarbonato e de 29. Define o disturbio hidroelectrolitico.

Primeiro passo: E acidemia ou alcalemia? E acidemia, porque pH e 7,35, quer dizer < 7,44.

Segundo passo: Que tipo de acidemia que e? Como vêmos, o pACO2 e muito mais modificado em comparação com o NaHCO3, então provavelmente que e uma acidemia respiratoria.

Terceiro passo: E aguda ou cronica? No caso, o pH caiu com 0,09 em comparação com o valor ideal, enquanto o pACO2 aumentou com 28 mm Hg acima do valor normal. O disturbio e cronico, porque por cada 10 mm aumento de CO2 existe 0,03 pH de queda

RESPOSTA FINAL: Acidose respiratoria cronica

 

III. ACIDOSE METABOLICA

Primeiro, como que eu vou saber que a acidemia e metabolica?

Desta vez vamos usar os valores do bicarbonato serico - se a mudança for predominantemente no bicarbonato, então provavelmente que o disturbio e metabolico. isto e, o bicarbonato vai ser menor que 22, de modo semelhante com os disturbios respiratorios o pH vai ser menor que 7,38

Definição correta: ACIDEMIA por ACIDOSE METABOLICA

Então o bicarbonato vai ser baixo (<22) muito mais alterado que o pACO2.

A coisa e mais complicada com os disturbio metabolicos. Existem situações e situações:

Calculo de anion GAP

O que que e o ANION GAP?

O anion GAP (traduzido pelo "burraco anionico"). ELE E A SOMA DOS ANIONOS E CATIONOS NÃO DOSEADOS.

A ecuação de homeostasia acido-basica e a seguinte:

Na + (cationos não doseados) = Cl + HCO3 + (anionos não doseados)

Em outras palavras, IDEALMENTE, a soma dos "positivos" tem que ser igual com a soma dos "negativos" para que o equilibrio seja cumprido.

O que são os anionos e os cationos não doseados?

São varios principios plasmaticos carregados com carga negativa, fora dos fundamentais (sendo estes o cloro e o bicarbonato), tipo:

PROTEINAS
15 mEq/l
FOSFATOS
2 mEq/l
SULFATOS
1 mEq/l
ACIDOS ORGANICOS
5 mEq/l
Total
23 mEq negativo
 

Os cationos, pelo contrario são ionos positivos (alem do sodio,que e fundamental) que tambem entra no equilibrio acido-basico:

K
15 mEq/l
Ca
2 mEq/l
Mg
1 mEq/l
ACIDOS ORGANICOS
5 mEq/l
Total
11 mEq positivos
 

A diferença entre estas concentrações de "positivos" e "negativos" da "anion GAP", que cabe discutir somente no caso de ACIDOSE METABOLICA. Por outras situações não vale.

Como podemos ver o anion GAP e, em media de 12 mEq. Convencionalmente ele estara aumentado se for maior de 12 mEq e baixo se for menos que 12 mEq.

Nas provas, o calculo dos anion GAP implica uns dados que tem que existir no enuncio (os niveis do Na, Cl e bicarbonato)

Conforme, então a ecuação acima presentada:

ANION GAP = Na - (Cl + HCO3)

E essencial ver se o anion GAP esta aumentado ounormal, porque seo anion GAP for modificado ele esta implicado nesta acidose (ou seja, não são os fundamentais que modificam e homeostasia). Por exemplo, no caso do diabetes, em cetoacidose, os cetoacidos (que não são "fundamentais") modificam o equilibrio acido basico.

Eu preciso deste anion GAP, de fato pra ver se existe um disturbio concomitente de ALCALOSE METABOLICA !!!!

A coisa ta virando feia? Como pode ser alcalose metabolica se falarmos de ACIDOSE???

A ideia e a seguinte:

vamos dizer que o bicarbonato esta baixo, condição necessaria para definir a acidose metabolica. e uma situação certa, so que pode enganar. Mas, sera que, conforme o valor do pH o bicarbonato e bastante baixo???

Porque, podemos ter um caso com pH 7,28 e com a HCO3 11 e um pH 7,2 com a mesma concentração de HCO3. Existe esta possibilidade. Então, o que difere o caso 1 de caso 2? Os dois tem acidose, com o mesmo valor de HCO3, porem o pH não e o mesmo!

Aqui que e explicação do anion GAP - um mecanismo compensatorio escondido (disfarçado) que, no primeiro caso permite a existencia de outro pH para a mesma concentração de HCO3 do segundo caso que e muito pior.

isto quer dizer que o anion GAP me permite ver se o HCO3 e bastante baixo. se for uma acidose metabolica PURA.

Mas, se o individuo tive uma doença previa que deixou ele com uma alcalose metabolica previa, e que na vigencia da acidose metabolica reduziu o bicarbonato, so que tinha que reduzir MAIS o que reduziu dentro da minha conta.

Como que eu vou verificar isso?

Então podemos avaliar se o bicarbonato que eu tenho que encontrar na gasometria e conforme com a acidose ou não. Se não for, então temos que corrigir. Quanto e a correção que temos que fazer?

Pois e, a corrreção, de fato, e o desvio do anion GAP, ou seja a diferença entre o AG achado e o normal que e 12, então:

HCO3 corrigido = HCO3 - (AG-12)

 

Como o bicarbonato normal e uma media de 24, resulta que o HCO3 corrigido tem que ser 24 para dizer que a acidose e pura.

Se fosse maior que o 24 eu tenho mais bicarbonato do que eu deveria ter. O que quer dizer isso? Que ja este HCO3 existia, ou seja existia uma alcalose previa.

E se fosse menor que 24?

Logico, então tinha uma acidose metabolica previa. O HCO3 e menor que previsto, porque antes que aconteça a acidose poresente tinha uma acidose previa, que piorou.

As acidoses com AG aumentado, então, são caracterizadas pelo cumoulo de outros acidos que HCl ou H2CO3, refletindo, então, a retenção de fosfatos, acidos organicos, ou toxicos endogenos. Nestes casos a cloremia vai ser normal.

Nesta categoria entra:

a) cetoacidoses

b) acidose lactica (anaerobiose - desvio do ciclo Krebs - glicolise anaerobica)

c) intoxicações com substancias acidas

d) insuficiencia renal cronica severa (diminui a produção de NH3, cai a reabsorção de HCO3, retenção de fosfatos, sulfatos, acidos organicos)

Por contrario, as acidoses com AG normal , claro que são acidoses hipercloremicas (porque neste caso perde-se HCO3, deifnitorio para acidose metabolica, e o unico que fica para equilibrar e o cloro):

a) acidose pelas perdas digestivas exageradas (diareia infecciosa ou purgativos)

b) acidose pela alimentação parenteral - se usaremos aminoacidos cationicos 9tipo lisina, arginina, histidina) - a\ metabolização deles vai liberar muit H+, o que vai ser neutralizado pelo HCO3

c) acidose pela administração de HCl - não e mais utilizada, mas se usava antes

d) acidoses tubulares proximais (aonde o rim não consegue recaptar o HCO3) ou distais (não consegue eliminar H+)

 

IV. ALCALOSE METABOLICA

 

Corretamente, alcalemia por causa de alcalose metabolica. A caracteristica principal e nivel muito alto de bicarbonato (ou seja, maior de 28), o disturbio sendo muito mais importante que a variação do pACO2.

Normalmente, a alclose metabolica tende a ser compensada pelo um mecanismo respiratorio - ou seja, a hora que uma alcalose metabolica aparece, ela tende a ser equilibrada pela uma acidose respiratoria.

Como que podemos saber se esta acidose respiratoria e justa com a avaliação?

A ecuação do Winter permite calcular o pACO2 esperada, que e em relação com HCO3

pACO2 esperada = (1,5 x HCO3) + 8 +/- 2

CUIDADO COM A SEGUINTE:

A retenção voluntaria de CO2 (para equilibrar a alcalose metabolica) nunca não vai passar de 55. Então, se um paciente aparece com 70 mm Hg pACO2 a gasometria, isto não e por causa da hipoventilação !

isto e utill para saber que nos casos acima apresentados nunca não vamos conseguir equilibrar uma alcalose metabolica utilisando a retenção de CO2 mais que 55 mm Hg.

PRINCIPAIS CAUSAS DE ALCALOSE METABOLICA:

A principal causa: CONTRAÇÃO VOLEMICA

    1. vomitos
    2. diurese
    3. tratamento intempestivo com alcalios
    4. excesso de glucomineralocorticoides
    5. Sindrome de Bartter:
      • hipocalemia
      • PA normal
      • paralisia periodica
 

A síndrome de Bartter é um distúrbio no qual os rins excretam quantidades excessivas de eletrólitos (potássio, sódio e cloreto), resultando em uma concentração baixa de potássio (hipocalemia) e em concentrações elevadas de aldosterona e renina (dois hormônios) no sangue.

Normalmente, a síndrome de Bartter é hereditária, sendo causada por um gene recessivo. Portanto, um indivíduo com o distúrbio herdou dois genes recessivos, um de cada genitor.

Sintomas

As crianças com síndrome de Bartter apresentam um crescimento lento e parecem des-nutridas. Elas podem apresentar fraqueza muscular e sede excessiva, podem produzir grandes quantidades de urina e podem apresentar retardo mental.

As concentrações de cloreto de sódio e de água no sangue tornam-se baixas. O organismo tenta compensar essa situação produzindo mais aldosterona e renina. Esses hormônios reduzem a concentração de potássio no sangue.

Diagnóstico e Tratamento

O médico suspeita de síndrome de Bartter baseando-se nos sintomas. Os resultados dos exames laboratoriais que revelam níveis anormais de potássio e hormônios no sangue apóiam o diagnóstico.

Muitas das conseqüências da síndrome de Bartter podem ser prevenidas se o paciente tomar suplementos orais de potássio e um medicamento que reduza a excreção de potássio na urina como, por exemplo, a espironolactona (a qual também bloqueia a ação da aldosterona), o triantereno, a amilorida, o propranolol ou a indometacina. É necessário que o indivíduo ingira quantidades adequadas de líquidos para compensar a perda líquida excessiva.

A COMPENSAÇÃO RESPIRATORIA DOS DISTURBIOS METABOLICOS

Diferente da compensação dos disturbios acido-basicos respiratorios (acidose e alcalose respiratoria) no caso dos disturbios acido-basicos metabolicos a reação e rapida, porque a compensação se faz pela modificação da concentração dos bicarbonatos - isto e pela pACO2, cujo nivel pode ser controlado modificando a frequencia respiratoria.

Desse jeito, um paciente com alcalose metabolica vai tentar aumentar a concentração de CO2 (isto e, HCO3) do sangue, respirando menos. A respiração menos ampla vai diminuir a pAO2 e vai aumentar a pACO2. Em combinação com H2O plasmatico, o CO2 vai formar H2CO3, que dissociando-se, vai dar H+ e HCO3-.

Do contrario, um paciente com acidose vai tentar diminuir a acidez, diminuindo a concentração de CO2, isto e, a frequencia respiratoria vai ser aumentada para poder eliminar mais CO2 possivel.

Mas sera que toda vez este mecanismos compensatorios funcionam direto?

Quando falamos de acidose metabolica o que que se espera? Uma alcalose respiratoria para compensar. Isto e, temos que ver qual e o CO2 esperado (pela formula do Winter) pACO2 esp = (1,5 x HCO3) + 8 +/- 2. No caso se o CO2 esperado vai ser aquele que foi medido, então a alcalose respiratoria consequente consegue equilibrar o disturbio. Quer dizer, teremos uma acidose metabolica simples, compensada pela uma alcalose respiratoria.
Mas, se o pCO2 estar acima do valor esperado, então vai ter mais CO2 que esta esperado, o que significa uma acidose respiratoria que piora a acidose metabolica do que estamos falando. Se for menos, ai provavelmente que existe uma outra causa que causa a hiperventilação, eliminando o CO2 do que precisariamos.

Na alcalose metabolica a resposta vai ser, claro, a acidose respiratoria, quer dizer, a hipoventilação voluntaria. O nivel de CO2 vai subir, mas não acima de 55, porque se for maior de 55, existe outra causa que restringe a respiração do paciente.

EXERCICIOS

EXEMPLO 1:

Qual e a situação do paciente com a seguinte gasometria arterial?

pO2 70 mm Hg

pCO2 70 mm Hg

pH 7,22

HCO3 23 mEq

RESPOSTA:

Vamos analisar:

    • pO2 70 mm Hg - dado inutil
    • pCO2 70 mm Hg - isto e, aumentado (valor normal 40 mm Hg)
    • pH 7,22 baixo - acidose (normal 7,38 - 7,42)
    • HCO3 23 mEq - normal (valores normais 22-28 mEq)

 

PASO 1: E ACIDOSE OU ALCALOSE? E uma acidose, conforme pH 7,22

PASO 2: E uma acidose respiratoria, porque o mais que e modificado e o CO2 (o bicarbonato e perfeitamente normal)

PASO 3: E AGUDA OU CRONICA?

Vamos ver... neste caso, o pH caiu com 0,18, enquanto o pCO2 aumentou com 30, isto e, para cada 10 mm aumento do CO2 o pH caiu com

30 mm Hg.............................................................0,18

10 mm Hg..............................................................x

Neste caso a queda de pH vai ser de 0,06, o que significa que e mais perto de 0,08, e uma insuficiencia respiratoria AGUDA.

 

EXEMPLO 2

Mulher de 73 anos, tabagista, refere dispneia de uma semana com piora ha um dia. Em uso de captpril, fursemida e digoxina. Ao exame fisico, cianotica, taquipneica, estase jugular +/++++, a 45 graus. PA = 90/60 mm Hg, FC 70/minuto.

Roncos pulmonares com sibilos, discreta edema nos membros inferiores. EKG com FA, BRD e BDAS.

A gasometria arterial com FR 40:

    • pH 7,26
    • pCO2 = 68 mm Hg
    • pO2 = 53 mm Hg (90%)
    • HCO3 = 41 mEq

Procedida intubação oro-traqueal e conectada ao ventilador com FR = 20, VC = 10 ml/kilo, PEEP 0

A gasometria arterial no ventilador:

    • pH 7,67
    • pCO2 36 mm Hg
    • pO2 67 mm Hg (91%)
    • HCO3 37 mm Hg

RESPOSTA:

PASO 1: E acidose ou e alcalose? Claro que e acidose, sendo que o pH e 7,26

PASO 2: E respiratoria ou metabolica? E respiratoria, porque o bicarbonato esta muito alto (provavelmente, tentando compensar.

PASO 3: E cronica ou aguda?

Para uma queda de 0,14 no pH o CO2 aumentou com 28 mm, então:

 

0,14.............................................28

x..................................................10

x = 0,02 unidades de pH e uma acidose respiratoria cronica, ja que 0,03 e o nivel para isso.

Aonde chegou, depois a ventilação?

 

Voce conclui que:

A) a paciente apresentava acidose respiratoria não compensada, evoluindo para alcalose de padrão misto?

Nem pensar. Ela tinha acidose respiratoria descompensada, mas não tinha nada a ver com alguma tendencia ate alcalose

B) a paciente apresentava alcalose respiratoria não compensada e o ventiladoer auxiliou na queda do bicarbonado serico

Isto e bobeira, primeiro que não e alcalose (como que vai ser alcalose com pH 7,26?!?!)

C) Era necessaria administração imediata de bicarbonato EV

Ja que tinha bastante bicarbonato (41 mEq), so faltava isto ....

D) Estava ocorrendo shunt em ambas gasometrias, sendo que o drive respiratorio aumentou depois a ventilação mecanica

Isto e uma pista falsa para aqueles que não tem a menor ideia sobre o que acontece e poderiam ser tentados a achar que esta e a resposta exata (soa bem pra caramba !). Shunt tem a ver com hipoxemia.

E) era necessario administrar acido EV (HCl ou NH4Cl) depois a ventilação.

CORRETO. Como pode ser observado. a ventilação jogou a paciente na outra extremidade (alcalose metabolica), provavelmente diminuindo muito o CO2 afastou a acidose respiratoria), e ja que existia um nivel muito alto de HCO3, que nem caiu bastante, e isto que devemos fazer.

Comentario: De fato, o que que aconteceu? E um exemplo classico de erro flagrante. No momento que a pessoa vem depois um consumo de furosemida+captopril, desidratada, ja pode pensar que tinha um quadro de alcalose metabolica preexistente. No momento que ela foi intubada, a acidose respiratoria sumiu, ficou somente a alcalose metabolica, que, de um lado era compensação para a acidpose respiratoria cronica preexistente, de outro lado, era a alcalose metabolica causada pela desidratação. O medico deveria pensar nisto quando intubou. A paciente, praticamente, foi hiperventilada.

 

Exemplo 3

Jovem de 16 anos tenta suicidio ingerindo varias cartelas de AAS. E encontrada em casa só, aparentemente no pos-comicial. respirações profundas com FR 24, FC 108 BPM, e PA 90/70 mm Hg. A combinação e de exames que reflete melhor seu estado e:

    1. pH 7,35, pO2 100 mm Hg, pCO2 20 mm Hg, Bic 16 mEq, Glicemia 180 mg%, Na 142 mEq, K = 4 mEq, ureia 80 mg%, creatinina 1,9 mg%, Cl 94 mEq
    2. pH 7,26, pO2 100 mm Hg, pCO2 44 mm Hg, Bic 16 mEq, Glicemia 100 mg%, Na 142 mEq, K = 4 mEq, ureia 80 mg%, creatinina 1,9 mg%, Cl 120 mEq
    3. pH 7,35, pO2 100 mm Hg, pCO2 22 mm Hg, Bic 16 mEq, Glicemia 160 mg%, Na 142 mEq, K = 4 mEq, ureia 80 mg%, creatinina 1,0 mg%, Cl 120 mEq
    4. pH 7,46, pO2 100 mm Hg, pCO2 20 mm Hg, Bic 26 mEq, Glicemia 140 mg%, Na 136 mEq, K = 4 mEq, ureia 30 mg%, creatinina 1,0 mg%, Cl 102 mEq
    5. pH 7,32, pO2 100 mm Hg, pCO2 48 mm Hg, Bic 26 mEq, Glicemia 160 mg%, Na 142 mEq, K = 4 mEq, ureia 80 mg%, creatinina 1,9 mg%, Cl 94 mEq

Resposta:

vamos ter que calcular o anion GAP de cada uma. Porque ? Porque trata-se de uma acidose metabolica e eu quero verificar se esta acidose e verdadeira ou não

Porque ? porque neste caso vamos ter que achar a situação aonde o anion GAP esta aumentado, quer dizer, demonstrar que a acidemia esta devida a um agente externo (neste caso, o salicilato). Ele tem que ser maior que 12.

Caso A: Na - (HCO3 + Cl) = 142 - (16+94) = 142 - 110 = 32

Caso B: 142 - (16+120) = 142 - 136 = 6

Caso C: 142 - (120+16) = 6

Caso C: 136 - (26+102) = 136 - 128 = 8

Caso D: 142 - (94 + 26) = 142 - 120 = 22

Então, a variante A e mais plauzivel, porque a sintomatologia não bate com a pACO2 (48 mm CO2) enunciada no caso da variante E.

Exemplo 3

Paciente masculino, 85 anos de idade, desnutrido, deu entrada no pronto socorro acomanhado de seus familiares que relatam uma historia de diarreia e alteração do nivel de consciencia de alguns dias.

Ao exame, o paciente se encontrava hipocorado, desidratado, sonolento e sem sinais localizatorios ao exame neurologico. A gasometria em ar ambiente tem:

Sat O2 93%

pH 7,2

pAO2 85 mm Hg

pCO2 32 mm Hg

Bic 12 mEq/l

BE = - 14

Caracterizam esta situação acido-basica:

PASO 1: E acidose

PASO 2: E acidose metabolica, ja que o CO2 e baixo (deveria ser alto se fosse respiratoria) e o bicarbonato e muito baixo.

E uma acidose pura?

vamos calcular o pCO2 esperado - pCO2 esp = 1,5 x Bic + 8 +/-2

pCO2 esp = 1,5 x 12 + 8 +/- 2 = 24-28 mm Hg. O CO2 e 32, então, provavelmente que existe uma acidose respiratoria concomitente, que agrava a acidose metabolica

Então trata-se de uma acidose respiratoria mista (respiratoria + metabolica).

MISODOR, 02 SETEMBRO 2008

SAIR