Ações terapêuticas.

Antineoplásico.

Propriedades.

A procarbazina produz uma inibição débil da monoaminoxidase (MAO). Seu mecanismo exato de ação não é conhecido, mas pensa-se que é similar ao dos agentes alquilantes e é específico da fase S do ciclo de divisão celular. Inibe a síntese do DNA, RNA e proteínas. Absorve-se no trato gastrintestinal, atravessa a barreira hematoencefálica e metaboliza-se no fígado (a metabólito ativo). Sua meia-vida é de 10 minutos e é eliminada por via renal (70%) e por via respiratória (como metano e dióxido de carbono).

Indicações.

Doença de Hodgkin, linfomas não-Hodgkin, tumores cerebrais, carcinoma broncogênico, melanoma maligno, mieloma múltiplo, policitemia vera. As indicações aceitas estão em constante revisão, como as doses e os protocolos.

Posologia.

Adultos: 2 a 4mg/kg/dia em 1 ou várias ingestões, durante a 1 semana, seguidos de 4 a 6mg/kg/dia até que sejam produzidas leucopenia, trombocitopenia ou a resposta máxima. Manutenção: 1 a 2mg/kg/dia. Dose pediátrica: 50mg/dia durante a 1 semana, seguidos de 100mg/m 2/dia até que sejam produzidas leucopenia, trombocitopenia ou a resposta máxima.

Reações adversas.

Muitos dos efeitos secundários são inevitáveis e representam a ação farmacológica do medicamento. Exceto pela toxicidade gastrintestinal, pulmonar e hematológica, os efeitos adversos da procarbazina são similares aos dos IMAO que se utilizam para tratar alterações psiquiátricas. Confusão, convulsões, alucinações, tosse, febre, calafrios, hemorragias ou hematomas não-habituais; alopecia, diarréia, instabilidade ou torpor, cefaléias, cãibras musculares, náuseas, vômitos, secura na boca, perda do apetite, depressão mental.

Precauções.

É recomendável diminuir a dosagem em pacientes com disfunção hepática ou renal. É aconselhável suspender o tratamento se produzir reação alérgica, diarréia, hemorragia, leucopenia marcante, estomatite, trombocitopenia marcante. Pode ser utilizada em combinação com outros fármacos em vários protocolos, o que pode alterar a incidência ou a gravidade dos efeitos secundários. Evitar o álcool e outros depressores do SNC. Evitar as imunizações a menos que o médico as aprove. Controlar os níveis de glicemia nos diabéticos. É recomendável evitar seu uso durante o primeiro trimestre da gravidez e durante o período de lactação. Pode produzir supressão gonadal, o que provoca azoospermia ou amenorréia. Os efeitos depressores da medula óssea aumentam a incidência de infecção microbiana, retardamento da cicatrização e hemorragia gengival. Pode produzir estomatite.

Interações.

O álcool pode produzir reação semelhante ao dissulfiram e a depressão aditiva do SNC. Os anestésicos locais com epinefrina ou cocaína podem produzir hipertensão grave. Aumenta a atividade dos anticoagulantes derivados da cumarina. Os anticonvulsivos aumentam os efeitos depressores sobre o SNC. A procarbazina potencializa os efeitos hipoglicemiantes da insulina ou dos hipoglicemiantes orais. Aumenta as concentrações séricas de prolactina, interferindo nos efeitos terapêuticos da bromocriptina. Os IMAO podem provocar crises hiperpiréticas, crises convulsivas graves e morte. O uso de dextrometorfano pode provocar excitação, hipotensão e hiperpirexia. Os alcalóides da rauwolfia e a guanetidina podem provocar liberação repentina de catecolaminas acumuladas e originar a reação hipertensiva. O haloperidol, as fenotiazinas e os tioxantenos podem prolongar e intensificar os efeitos sedativos e antimuscarínicos destes medicamentos ou da procarbazina. A associação com levodopa pode provocar crises hipertensivas. O uso de metildopa pode gerar hiperexcitabilidade.

Contra-indicações.

Varicela existente ou recente, herpes-zoster, disfunção hepática grave, feocromocitoma, disfunção renal grave. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de alcoolismo ativo, diabetes mellitus, cefaléias graves ou freqüentes, epilepsia, infecção, parkinsonismo, doença cerebrovascular avançada e arritmias cardíacas.