ACIDENTES E INTOXICAÇÕES NA CRIANÇA

Prevenção de Acidentes na Infância

Acidentes e intoxicações mais comuns nas diferentes idades

SAIR



CONCEITO

Os acidentes têm se tornado, ao longo dos últimos anos, um importante problema da saúde pública, ocupando papel de destaque nas estatísticas de morbidade e mortalidade infantil em todo o mundo.
Principalmente nos países subdesenvolvidos o tema "Prevenção de Acidentes "deve ser considerado como prioritário, exigindo maior discussão e divulgação desse importante agravo à saúde infantil.
Enquanto a Medicina progride e vai avançando no conhecimento sobre a doenças infecto-contagiosas e degenerativas, os acidentes permanecem como uma importante e pouco estudada causa de morbidade infantil, incapacidade permanente e morte

DEFINIÇÃO

Inicialmente é preciso definir o fenômeno acidente e procurar dissociá-lo da imagem sensacionalista e violenta criada através da mídia e que nos chega a todo momento. Dependendo das circunstâncias, o acidente pode passar desapercebido ou ser entendido como um acontecimento normal. Para as ciências humanas, o acidente é tido como "todo fenômeno independente da vontade do homem, causado por uma força externa <de ação rápida, que se expressa por uma lesão do corpo ou da mente" ou, segundo a OMS(1985): "um acidente pode ser definido como um acontecimento fortuito, geralmente danoso ou ainda como um acontecimento independente da vontade humana provocado por uma força exterior que atua rapidamente e que se manifesta por um dano corporal ou mental".

EPIDEMIOLOGIA

Com o conceito de acidente bem definido, podemos reconhecer a importância do seu estudo avaliando os inúmeros dados obtidos em trabalhos nacionais e estrangeiros, que mostram os acidentes entre as cinco principais causas de mortalidade geral, sendo que apenas em 1980, morreram em todo o mundo cerca de 2.665.000 pessoas devido a acidentes, o que corresponde a 5,2% da mortalidade total.
Desse modo pode-se claramente observar que os acidentes são um problema universal, não somente ocorrendo em países desenvolvidos (sinônimo de industrialização, tecnologia avançada, urbanização e motorização), como também em países subdesenvolvidos (ambiente hostil, explosão urbana, rápidas alterações sócio-econômicas, equipamento industrial obsoleto e inadequado, além da falta de serviços especializados).
Devido a todos esses fatores e à importância crescente dos acidentes como causa de morbimortalidade em geral é que, durante a 80a Assembléia Mundial de Saúde realizada em Genebra em 1955, o governo sueco propôs, pela primeira vez, que a luta contra os acidentes fosse considerada como problema de saúde pública.
Segundo a OMS,

  1. 45% dos acidentes com a população mundial ocorrem no lar,
  2. 30% nos locais públicos,
  3. 14% nos locais de trabalho 
  4. 10% nas autoestradas.

Os acidentes, assim como as doenças, resultam de uma interação desfavorável entre um agente etiológico e um hospedeiro susceptível, ocorrendo dentro de um determinado ambiente. Atualmente, os estudos envolvendo acidentes são realizados de modo a enfocar todos os elementos necessários para a sua ocorrência (agente – hospedeiro – ambiente), podendo-se ainda estabelecer parâmetros para avaliar o acidente como um fenômeno que possa ser subdividido em fases de:

  1. pré-dano,
  2. dano propriamente dito
  3. pós-dano,

Assim como as doenças, os acidentes não são distribuídos ao acaso entre as populações, onde a interação entre esses três fatores determina a probabilidade e a natureza do acidente, considerando-se ainda que os eventos concomitantes ao acidente são tão importantes quanto o próprio acidente.

FATORES FAVORIZANTES

Vários fatores são reconhecidos como desencadeantes de acidentes, tais como:

  1. as condições ambientais físicas, sociais e culturais;
  2. o amadurecimento físico e psíquico
  3. controle dos impulsos e emoções

Em relação aos elementos do hospedeiro, podemos ressaltar que as crianças possuem características próprias que as tornam mais propensas ao acidente. Assim, dentro do conhecimento de suas várias etapas de desenvolvimento neuro-psicomotor temos a destacar a sua imaturidade física e mental, a inexperiência e incapacidade para prever e evitar situações de perigo, grande curiosidade, motivação em realizar tarefas, tendências a imitar e repetir comportamentos, falta de preocupação corporal, ignorância, impaciência, incoordenação motora, além de particularidades orgânicas ou anatômicas como a desproporção crânio-corpo e as pequenas dimensões das vias aéreas superiores que podem predispor a acidentes mais específicos.
Além disso, as crianças muitas vezes vivem em meios sociais desfavoráveis, principalmente em níveis sócio-econômicos inferiores, devido a superpopulação, miséria, educação e vigilância insuficientes, necessitando adaptar-se ao mundo dos adultos, que lhes é hostil e desconhecido, tendo que freqüentemente adquirir conhecimento pelo método de tentativa e erro.
Ainda dentro da faixa etária pediátrica pode-se isolar um grupo de crianças em que os acidentes são mais freqüentes, ou seja, as crianças fatigadas, convalescentes de enfermidades ou no seu período de incubação, crianças excepcionais ou portadoras de defeitos físicos e aquelas instáveis emocionalmente, bem como identificar as crianças que assumem comportamentos de risco para acidentes. Crianças que tenham tido 3 ou mais acidentes por ano e que requerem atenção médica são consideradas como "repetidoras de acidentes" e, freqüentemente pertencem a famílias cujo comportamento é socialmente mal ajustado.
A investigação em acidentes é um campo de trabalho muito amplo, pouco definido e multidisciplinar por princípio, que requer investigadores preparados e experientes, com formação científica suficiente para entender os diferentes fenômenos envolvidos. O conhecimento epidemiológico dos acidentes na infância ainda é incompleto e parcial, sendo que predominam as estatísticas de mortalidade ou casos que necessitam de hospitalização, em detrimento de dados relativos à morbidade.
Mesmo estando claramente identificado como um problema de saúde pública, em nosso país ainda faltam estudos que possam reconhecer, no mínimo, os acidentes mais freqüentes, de modo a direcionar melhor os esforços no sentido de agir preventivamente em cada situação identificada. Especial atenção deve também ser dada a um fato muito freqüente em nosso meio, fruto do seu próprio subdesenvolvimento, que é a ocorrência de acidentes de trabalho na faixa etária de 10 a 14 anos, onde as crianças expostas aos riscos ocupacionais diversos, principalmente no meio rural e nas pequenas e médias industrias, quase sempre estão desenvolvendo trabalho ilegal e clandestino.
O estágio atual de desenvolvimento da Medicina permite que o atendimento aos pacientes acidentados seja eficiente e, muitas vezes, decisivo para o seu prognóstico de sobrevivência. Porém, ainda se observa que as taxas de mortalidade são elevadas e os custos sociais e financeiros altíssimos. Particularmente para as crianças, o significado dos anos potenciais de vida perdidos devido a acidentes torna o problema dramático.

PREVENÇÃO

Inicialmente, devemos assumir que acidente é um mal endêmico e requer um plano de ação permanente.
Desse modo entenderemos que a educação preventiva é fundamental. A predisposição aos acidentes na criança somente pode ser neutralizada pelos adultos responsáveis pela sua segurança e educação. Através de estudos epidemiológicos deve-se fazer o diagnóstico da situação dos acidentes no seus diferentes aspectos, definindo-se então a dimensão do problema.
A partir dai, é possível elaborar-se programas ou planos educacionais preventivos que devem ser enfocados de forma regionalizada, de acordo com as diversas características do acidente (nos seus aspectos relativos ao agente causai, hospedeiro e ambiente), diferentemente do tratamento que pode ser de aspecto universal, não se deixando de considerar que o acidente é uma conseqüência da ação do homem, da sua imprudência e negligência.
O pediatra, cuja formação e prática leva ao conhecimento de particularidades do desenvolvimento da criança, de seu ambiente familiar e de seus hábitos e atitudes, encontra-se em uma posição privilegiada para exercer a medicina preventiva, incorporando à sua conduta habitual, os princípios básicos de segurança domiciliar e prevenção de acidentes, que serão transmitidos sob a forma de orientações e conselhos durante as consultas médicas realizadas, principalmente ao longo de um seguimento rotineiro de Puericultura, que também aqui demonstra sua importância como ação básica em programas de saúde infantil. Incorporando a importância dos acidentes à sua prática rotineira e conhecendo bem o problema, o pediatra deve assumir claramente a função de educador e difusor de conhecimentos, sempre orientando a sua prevenção, tendo em vista os riscos inerentes ao ambiente da criança e ao estágio de seu desenvolvimento neuro-psico-motor. Sem dúvida, esta será uma contribuição ponderável na busca de saúde e melhor qualidade de vida para as crianças em geral.

A RELAÇÃO ACCIDENTES/FAIXA ETARIA

É comum as pessoas se preocuparem com doenças tipo meningites, sarampo, paralisia infantil, pneumonia e outras, como sendo os agravos mais severos que podem afetar a saúde das crianças.
Claro que as doenças infecto-contagiosas são importantes mas, as INJÚRIAS FÍSICAS, comumente denominadas ACIDENTES, são as causas mais comuns de morbimortalidade em crianças dos zero aos 19 anos, mais do que aquelas doenças.
Estes eventos estão na dependência das diferentes idades das crianças, do tipo de habitação, se moram na zona urbana ou rural, das escolas e creches, etc.
No entanto, em todas as situações, ACIDENTES ou INJÚRIAS FÍSICAS são as “doenças mais comuns em todas as idades, em algumas sendo a causa primeira de óbitos e em outras, estando dentre as primeiras”.
O assunto é tão importante que inúmeras pessoas e entidades estão se envolvendo para ministrar o “único remédio existente para tratar esse mal – INFORMANDO as pessoas e ensinando PREVENÇÃO!”.
Assim é que os Pediatras brasileiros, a Pastoral da Criança, inúmeras empresas e cooperativas como a Unimed, Sociedade Brasileira de Pediatria, Câmara Federal dos Deputados, e muitos mais unem-se nesta cruzada contra os agravos de saúde que têm como origem, as chamadas causas externas de doença.

SDS

 

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Para que se possa compreender como acontecem as INJÚRIAS FÍSICAS, tem-se que entender a criança em suas diferentes idades, pois, elas têm comportamentos diferentes, dependentes da fase do desenvolvimento em que se encontram – lactentes (até os 2 anos), pré-escolares (dos 2 aos 6/7 anos), escolares (dos 7 aos 10 anos) e adolescentes (mais de 10 anos), e isto importa, para podermos definir como fazer PREVENÇÃO

CRIANÇAS ATÉ 2 ANOS = LACTENTES

São totalmente dependentes dos adultos, são indefesas, frágeis, reagem ao que vêm e têm capacidades físicas limitadas.
Aos 4 meses, já conseguem rolar. Aos 9 meses têm capacidade de formar uma pinça entre os dedos das mãos e levam tudo à boca; algumas já engatinham.
Com 1 ano andam com apoio, têm forte e constante motivação para explorar o ambiente, são muito ativas mas tem uma má coordenação motora e total incapacidade de reconhecer riscos.
Não tem medo dos animais. Gostam que se fale e cante para elas. O Leite Materno é o alimento ideal !
São propensas:

    1. a se asfixiar (sufocação, engasgos),
    2. a sofrerem queimaduras,
    3. afogamento,
    4. quedas (do colo, do trocador, da cama),
    5. contusões,
    6. intoxicações, principalmente medicamentosas,
    7. queimaduras e choques elétricos podem ocorrer,
    8. atropelamentos
    9. quedas de lugares altos.

A prevenção passa por verificar a temperatura da água do banho, da mamadeira (se ela está sendo usada); não usar talco; amamentar a criança no colo; ajustar os lençóis sobre o colchão do berço; proteger para que não caiam da cama, trocador, bebê conforto; jamais medicar sem receita médica; cuidado com sacos plásticos; evitar colares; fechar tomadas elétricas; remover pequenos objetos do alcance delas; ter portões de segurança; grades e telas nas janelas; não ter substâncias venenosas em casa; produtos de limpeza bem guardados e fechados; piscinas, tanques e banheiras protegidas, cercadas; usar cadeirinha adequada para levá-las no automóvel.

CRIANÇAS DE 2 aos 6 / 7 ANOS = PRÉ-ESCOLARES

É o período intuitivo ou pré-lógico. O pensamento é mágico (“posso voar”, “posso cair do alto sem me machucar”).
O fato de caírem de um muro não significa que aprenderam e não subir em árvores (“muro é muro – árvore é diferente”). São rebeldes, impetuosas, hesitantes, paradoxais, imprevisíveis, ora dóceis ora agressivas (crises de birra).
São muito rápidas, correm e pulam o tempo todo! Conseguem usar copo e colher.
Gostam de brincar com água, empilham objetos. Já possuem vontade própria, falam muito, cantam, imitam e já freqüentam a escolinha.
Não conseguem aprender noções de segurança!
A prevenção passa por proteção e supervisão constantes, amplos espaços para brincar, respostas simples e corretas para todas as perguntas feitas.
Devemos ter atitudes firmes e coerentes, isto é, estabelecer limites; ensinar a guardar os brinquedos; evitar brinquedos com partes removíveis, não permitir que manuseiem líquidos quentes, vidros e objetos pontiagudos; guardar ferramentas; ensinar bons hábitos.
Manter remédios, detergentes e solventes nos seus respectivos recipientes e bem guardados; cuidado com ferro de passar roupas; manter instalação elétrica da casa em ordem.
Usar as bocas de trás do fogão, cabos de panelas voltados para a parte de dentro. Muito cuidado com água – piscinas e reservatórios.

CRIANÇAS DE 7 a 10 ANOS = ESCOLARES

Nesta idade já começa o pensamento lógico; emocionalmente estas crianças são mais estáveis, têm muito interesse por atividades criativas e/ou laboriosas e estão na fase de socialização comunitária.
Muitas vezes o comportamento é influenciado pelos amigos, e os desafios às regras são a tônica. Possuem habilidades motoras mas sem um bom julgamento crítico (“ascender um fósforo perto do álcool, ligar o carro com a marcha engatada”); já podem começar a aprender noções de segurança e como ficam mais fora do lar, correm mais riscos de injúrias físicas.
São comuns os acidentes esportivos, agressões, traumatismos dentários, impactos, picadas, mordeduras, acidentes de trânsito, quedas de bicicletas, triciclos e patins.
Ensinar organização, cuidados pessoais, cuidar de suas coisas e do lugar onde vivem; respeitar as pessoas; devemos ensinar o gosto pelos estudos e o uso constante dos equipamentos de proteção.
Os pais devem ser o exemplo a seguir. Iniciar controle e orientações sobre drogas, lícitas ou ilícitas.

CRIANÇAS COM MAIS DE 10 ANOS = ADOLESCENTES

A característica é o pensamento organizado, têm comportamento rebelde necessitando auto-afirmação; sentem-se onipotentes, arriscando-se conscientemente (o adolescente jamais imagina que possa se acidentar ou até morrer!); têm mais liberdade e conseqüentemente menos supervisão; início do uso de bebidas alcoólicas e do fumo.
Ocorrem intensas mudanças físicas, psicológicas e na sexualidade.
Há o risco de gravidez e da ocorrência das Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Acidentes de trânsito, quer sejam atropelamentos ou como passageiros de veículos motores, o uso de drogas licitas e ilícitas, o porte de armas e o comportamento violento são os grandes causadores de lesões.
Educação para evitar comportamentos de risco (agressões e vícios), usar anticonceptivos e prevenir as DST são prioridade na prevenção das injúrias físicas, além do uso do cinto de segurança nos automóveis.
CADEIRAS ESPECIAIS PARA CARREGAR CRIANÇAS NOS AUTOMÓVEIS

    1. Lactentes até 10Kg devem ser colocados voltados para a traseira do carro.
    2. Assento modelo lactente ou Moisés presos pelo cinto de segurança do carro.
    3. Crianças de 9Kg a 19Kg e entre 5 meses e 5 anos de idade viajam em cadeiras especiais com cinto de segurança.
    4. As fitas de segurança do assento devem estar firmemente acomodadas ao corpo da criança.
    5. O assento deve estar firmemente preso ao assento do carro.
    6. Os assentos tipo elevador somente para pré-escolares com peso maior que 20Kg.
    7. Crianças com menos que 20Kg, devem usar assentos especiais.
    8. Almofadão de 20cm de altura pode substituir o assento tipo elevador.
    9. O cinto próprio do carro somente deve ser usado em crianças com mais de 140cm de altura ou com peso de 19 a 38Kg.
    10. O cinto deve passar pelo ombro e não pescoço e se é cinto sub-abdominal, prender as coxas da criança.
    11. NUNCA VIAJAR DE PÉ!

TOXICOLOGIA PEDIATRICA

As intoxicações agudas são responsáveis para um numero relativamente pequeno de óbitos na idade da infância, mas representa uma das maiores urgências na patologia.
Um terço das intoxicações agudas acontecem com as crianças, 4/5 sendo na idade de 1 – 5 anos.
Em 75% dos casos a ingestão e a mais freqüente causa de intoxicação.

  1. ENTRE 0 – 1 ANO a maioria das intoxicações acontecem com remédios ministrados em dose errada (SUPRADOSAGEM)

  2. CRIANÇA PEQUENA: ingestão accidental

  3. E IDADE ESCOLAR: ingestão pela curiosidade

  4. ADOLESCENTES: tentativas de suicidio

 

SUBSTANCIAS MAIS ENCONTRADAS:

MEDICAMENTOS                                 TOXICOS CASEIROS

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Existe também um distribuição das intoxicações em função do habitato geográfico:


MEDIO URBANO:

  1. Remedios
  2. Cosmeticos
  3. Detergentes

MEDIO RURAL

  1. Fungicidos
  2. Pesticidos
  3. Petrolio
  4. Soda caustica
  5. Plantas venenosas

E considerado, justificado, que a intoxicação da criança e “doença da família” a maioria dos autores encaixando-a no “síndrome de criança mal cuidado”
A “suspeita” de intoxicação na criança tem que ser tratada como se fosse uma intoxicação real

O DIAGNOSTICO DAS INTOXICAÇÕES:

Ao chegar no ponto de atendimento especializado tem que conferir:

    1. Informações iniciais (nome, idade, peso, endereço)
    2. Historico
    3. Exame clinico         
    4. Exame biologico
    5. Screening toxicologico

EXISTEM DUAS POSSIBILIDADES:

OS PAIS PODEM OFERECER DADOS SOBRE O TOXICO

Geralmente, a identificação do toxico e facil
Tem que avaliar a quantidade ingerida (atenção! Raportar ao peso do paciente !!!), a aparição e a evolução de algumas sintomas e saber as eventuais manobras e medidas de socorro que foram tomadas ao domicilio.

NINGUEM SABE QUE REMÉDIO FOI INGERIDO

Pediremos informações rápidas sobre:

CONVULSOES?

Casos de intoxicações com estimulantes do SNC - podemos pensar em:

COMA?

Acompanha as intoxicações com deprimantes do SNC:

PUPILAS MODIFICADAS?

COR ALTERADA DOS TEGUMENTOS?

A cianose intensa das mucosas e dos tegumentos, que não melhora a oxigenoterapia e encontrada na intoxicação com meta-hemoglobinemizantes:

MUDANÇAS DE SALIVAÇÃO?

A

S

DIAGNOSTICO BIOQUIMICO DAS INTOXICAÇÕES:

Não todas as intoxicações têm testes qualitativos de cor. Não toda vez temos o tempo e reativos para fazer analises qualitativos Não toda vez somos qualificados para fazer e avaliar um tal tipo de teste A melhor modalidade para determinar e avaliar os efeitos do toxico e o laboratorio de toxicologia.

MATERIAIS A SER RECOLTADOS E MANDADOS PARA O LABORATORIO DE TOXICOLOGIA:

    1. SANGUE – a analise toxicologica dele tem que ser feita quantitativamente
    2. URINA – analise especialmente qualitativa para identificar as drogas mais frequentemente usadas
    3. LIQUIDO GASTRICO – analise dos restos da droga, presença dos epitelios danificados, traços do toxico. As vezes precisa mesmo de liquido de lavagem gastrica.

O TOXICO

MANIFESTAÇÕES CLINICAS

ALCOOL METILICO

ACIDOSE METABOLICA, DISTURBIOS DE VISTO, NIVEL SERICO ACIMA DE 20 MG%

DERIVADOS DE ATROPINA

TAQUICARDIA, AGITAÇÃO,  DELIRIO

BENZODIAZEPINAS

SONOLENCIA, COMA

BETA-BLOQUEADORES

BRADICARDIA, HIPOTENSAO E BRONCOESPASME

COLINERGICAS (FIZOSTIGMINA E PESTICIDAS)

SALIVAÇÃO, LACRIMEJAMENTO, FASCICULAÇÕES

ETILENGLICOL

ACIDOSE METABOLICA SEVERA

FENOTIAZINES

DISTONIA EXTRAPIRAMIDAL, CRISES OCULOGIRAS

PREPARADOS DE FERRO

HIPOTENSÃO, CHOQUE E COMA, SIDEREMIA ACIMA DE 320 MCG/100 ML

META-HEMOGLOBINIZANTES

CIANOSE, DISPNEIA, NIVEL DE MET-HB ACIMA DE 30%

O TOXICO

MANIFESTAÇÕES CLINICAS

MONOXIDO DE CARBONO

CEFALEIA, CONVULSOES, COMA

ORGANOFOSFORATES )MALATION, PARATION), CARBAMATOS

CRISES DE TIPO COLINERGICO, SALIVAÇÃO, ENCHIMENTO BRONQUICO, FASCICULAÇÕES, CONVULSOES

PARACETAMOL

HEPATOTOXICIDADE

O TRATAMENTO DAS INTOXICAÇÕES:

Todas as intoxicações tem que ser atendidas conforme quatro principios basicos:

    1. PREVENÇÃO DA ABSORÇÃO DO TÓXICO
    2. APRESSAR A ELIMINAÇÃO DO TÓXICO JÁ ABSORVIDO
    3. NEUTRALIZAÇÃO DO TÓXICO USANDO ANTIDOTOS
    4. TERAPIA DE SUPORTE

D

    1. Prevenção da absorção dos toxicos ingeridos
    2. Prevenção da absorção dos toxicos inalados
    3. Prevenção da absorção dos toxicos de contato (pele, conjuntiva)
    4. Prevenção da absorção dos toxicos injetados

F

MEDIDAS OBRIGATORIAS
O tóxico vai ter que ser capturado em qualquer segmento digestivo que seja possível

    1. EVACUAÇÃO GASTRICA – provocada ou lavagem
    2. ANTIDOTOS LOCAIS – químicos ou fisiológicos
    3. EVACUAÇÃO INTESTINAL - catárticos

PROVOCAÇÃO DO VOMITO

MECANICO 

QUIMICO

NÃO TENTA PROVOCAR VOMITOS !
G

LAVAGEM GASTRICA
USA A SONDA FAUCHER

O lavagem gástrica tem máxima eficiência nas seguintes condiçoes:

E CONTRAINDICADO O LAVAGEM GASTRICO:

ANTIDOTOS LOCAIS:

São antídotos nespecificos – inativam ou ligam os tóxicos. Podem ser químicos ou físicos:

H

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As substancias catárticas são utilizadas para reduzir a absorção. São substancias que apressam a eliminação intestinal do tóxico, impedindo, desse jeito, o passagem do tóxico no sangue. Em estudos controlados, parece que não comprovaram resultados, por isso, a eficacia delas depois mais de uma hora da ingestão já e discutível

 

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A primeira coisa que vai fazer – vai tirar o intoxicado do médio com gás tóxico e vai expor ao ar. Eventualmente vai ser aplicada a respiração artificial (massagem torácico ou “boca a boca”). O intoxicado vai ser transportado urgentemente ao hospital, recebendo permanentemente oxigênio ou ventilação mecânica mesmo, em casos graves.

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Carateristico para as substancias organofosforatos e organocloruratos
Tem que lavar muito bem a pele contaminada, com agua em jato, ou, no caso de substancias tóxicas oleosas, usando principios organicos (alcool ou acetona)
Vai evitar a tentar “neutralizar” as substancias causticas – a energia eliberada pode agravar as queimaduras já causadas pelo tóxico – as regioes decontaminadas tem que ser depois tratadas como se fosse queimaduras.

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Aplicar garote proximal do lugar da inoculação
Podemos utilizar a succção ou a excisão de tecido para afastar o tóxico
Utilizar uma compressa gelada para atrasar a absorção do toxico


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DIURESE AQUOSA
O QUE E: Um aporto aumentado de líquido (4 l/mp/dia, endovenoso). A solução e constituída de 2/3 solução glicose 5 ou 10% + 1/3 solução NaCl + K 2g/l solução;
EFEITO: resulta uma diurese 2-3 vezes maior que aquela normal, aumentando a taxa de filtração glomerular;
EFICIENTE PARA: Aquelas substancias que eliminam-se via renal;

DIURESE OSMOTICA
O QUE E: Um método baseado na competição de reabsorção - uma concentração osmótica alta abaixa muito a taxa de reabsorção de um tóxico;
COMO SE FAZ: Utiliza uma solução formada de 2/3 glicose 10% + 1/3 manitol 10% + NaCl 3 g/l + KCl 2 g/l, administrada 2-3 vezes mais que as necessidades fisiologicas
EFEITO: resulta uma diurese 2-3 vezes maior que aquela normal, aumentando a taxa de filtração glomerular e abaixando a taxa de reabsorção
EFICIENTE PARA: Aquelas substancias que eliminam-se via renal;

DIURESE OSMOTICO-IONICA
O QUE E: Um método baseado no principio que, mais que uma substancia e mai ionizada, melhor e eliminada

COMO SE FAZ: Se acidifica ou se alcaliniza a urina utilizando varias substancias. Como consequencia, o que e tóxico alcalino fica preso pelo iono acido, e do contrario.
ACIDIFIAR:  A solução de diurese osmotica +

  1. clorura de amonio: 75 mg/kc/dose e. v de 6 em 6 horas ate uma dose total de 6-8 g em 24 horas. O pH urinario tem que ser mantido a 5,5
  2. Cloridrato de argininina
  3. Vitamina C

ALCALINIZAR: A solução de diurese osmotica +
Bicarbonato de sódio 1-3 mEq/kc/doze e. v. durante 1 hora, pH tem que ser mantido maior que 7,5
EFICACIA:
ACIDIFIANDO: contra  quinina, imipramina
ALCALINIZANDO: salicilatos, fenobarbital

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Não e um método de tratamento comum em caso de intoxicações na criança. Se aplica somente no caso que outros métodos medicais falharam e a sintomatologia conseqüente ameaça a vida da criança
A indicação de diálise e relacionada com o grau de toxicidade da substancia O tóxico não tem que ser ligado de proteinas sangüíneas, caso em qual ele não e dializavel, tem que ser distribuído na fase aquosa e ser dializavel pela membranas

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A mais eficiente modalidade de dialise.
Recomendada especialmente nas intoxicações com:

CONTRAINDICAÇÕES DA HEMODIALISE:
Sangramentos, especialmente do trato gastrointestinal

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Utilizada nas intoxicações com substancias lipossolúveis (cânfora, fenobarbital, fenotiazine) – esses tipos de substancias não são solúveis em água. E similar com a diurese aquosa, somente que do outro lado da membrana e um veiculo oleoso
E eficiente para eliminar aqueles tóxicos que tem um volume de distribuição grande no tecido adiposo, liberando-se no sangue em quantidades pequenas, causando recaídas e comas repetitivas. 5-7 litros de óleo de soja estéril pode dialisar uma quantidade enorme de tóxico.

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AS

ASD

 

 

 

 

PLASMAFERESE

Indicada para aqueles substancias que não são dialisaveis.
Elimina rapido os toxicos
Extremamente cara e indicada somente no caso de risco vital

EXSANGUINOTRANSFUSÃO

Método de depuração eficiente em algumas intoxicações, especialmente hemolisantes e meta-hemoglobinemizantes, salicilatos, acido bórico, benzeno, hidrocarbonetos, fenóis, dicumarina.
E um método utilizado especialmente no recém-nascido e lactente, porque eles toleram melhor

A TERAPIA DE NEUTRALIZAÇÃO PELO ANTIDOTOS

TÓXICO

ANTIDOTO

DOSE

ALCOOL METILICO

ALCOOL ETILICO 100%

Pesa o paciente
Faça solução 1 ml/kilocorp, solução glicose ou soro
Administra em 15 minutos

ANTICOLINERGICOS

FISOSTIGMINA

O,5 mg e. v., lento, em 3 minutos. Repetir depois 10 minutos. Máximo 2 mg em delírio grave !!!

BENZODIAZEPINAS

FLUMAZENIL (ANEXATE) – bloqueio dos receptores especificos no SNC. Ampolas 0,5 mg/5 ml

Dose inicial 0,2 mg (3 ml) e. v.

PROPRANOLOL E BETA-BLOQUEADORES

GLUCAGON 1 mg po liofilizado ampola 2 ml

Inicialmente 5-10 mg e. v., Manutenção 2-10 mg/hora
Ou 0,15 mg/kilo em bolus, seguido de infusão 0,05-0,1 mg/kc/hora

FENOTIAZINAS (CLORPROMAZINA)

DIFENHYDRAMINA (BENADRIL) TRIHEXIFENIDIL cp a 2 mg

1-2 mg/kc/dose (maximo 50 mg/dose), e. v. de 6 em 6 horas, 2-6 mg/dia

COLINERGICOS (Fizostigmina, Pesticides)

ATROPINA SULFATO solução 0,1%, ampola 1 ml

0,05 mg/kc/dose, 1-5 mg de 4 em 4 horas, e. v.

ETILENGLICOL

ALCOOL ETILICO 100%
FOMEPIZOL

1 ml/kc em soro em 15 minutos, depois, 0,16 ml (125 mg/kc/h) para manter o nível de etanol em 100 mg/100 ml

META-HEMOGLOBINIZANTES (ANILINA, NITRATOS, NITRITOS)

AZUL DEMETILENO 1%
VITAMINA C SOL 10%, ampolas de 1 ml

1-2 mg (1-2 ml)/kc/dose e. v. repetido de 4 em 4 horas , 30 mg/kc  e. v.

MONOXIDO DE CARBONO

OXIGENIO 100%

100% oxigenio na camera hiperbara 30 min – 4 horas

ORGANOFOSFORATOS (MALATION, PARATION)
CARBAMATOS

ATROPINA SULFATO SOL 1% ampolas de 1 ml

0,05 mg/kc/dose (0,01-0,1 mg/kc), dose usual 1,5 mg e. v. de 4 em 4 horas

PARACETAMOL

N-acetil-cisteina (1 mg/1 ml solução)

Dose inicial 140 mg/kilo, seguida de 70 mg/kilo de 4 em 4 horas

CHUMBO, MERCURIO, COBRE, ZINCO, MAGNESIO

EDTA
D-PENICILAMINA

20-50 mg/kc/dia, dose maxima 1 g

WARFARIN, BISHIDROXICUMARINA (RATICIDOS)

VITAMINA K

2-5 mg i. m. ou e. v.

ANFETAMINAS

CLORPROMAZINA

1 mg/kc i. m. ou e. v. de 6 em 6 horas

 

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TEM QUE TRATAR O PACIENTE, E NÃO O TÓXICO!

MEDIDAS OBRIGATORIAS:

  1. Cada paciente em estado grave tem que ter uma linha venosa (cateter transcutaneo ou veia preparada)
  2. Monitoramento cardiovascular permanente, com verificação do estado vital de 15 em 15 minutos
  3. Garantir uma diurese continua e boa (sonda e cateter vesical)
  4. Combater as convulsões, quando elas aparecem, com sedativos (diazepam, fenobarbital, fenitoina) – administrados com prudência para evitar a depressão neurológica A DEPRESSÃO E MUITO MAIS PERIGOSA !!!
  5. Garantir uma ventilação eficiente, eventual intubação traqueal e oxigenoterapia
  6. O eventual choque ou colapso vai ser tratado com adrenérgicos. Atenção no efeito antidiurético delas, que pode atrasar a eliminação do tóxico !
  7. Ajustar os líquidos e os infusões em função do nível da ionograma sérica e volemia
  8. Qualquer distúrbio de ritmo cardíaco precisa de intervenção urgente !

A CRIANÇA INTOXICADA E SUSCEPTIVEL POR VARIAS INFECÇÕES ! O tratamento antibiótico tem que ser considerado, especialmente no caso que o tóxico pode provocar pneumonias ou outras infecções pela inalação (tipo, intoxicação com hidrocarburas voláteis, etc.

SAIR



 

MISODOR, 17 JUNHO 2008