PERFIL BIOFISICO FETAL

SAIR

Perfil Biofísico Fetal: Conceito. Indicação. Variáveis Agudas e Variáveis Crônicas. Classificação. Vantagens e desvantagens. Perfil Biofísico Fetal Simplificado

I. Conceito

Avaliação do bem estar fetal e integridade do SNC fetal através de análise de variáveis biofísicas ultra-sonográficas e cardiotocográficas

Para pacientes com alto risco a ultrasonografia dinâmica de alta resolução pode ser utilizada para avaliar o perfil biofísico fetal. A avaliação utiliza as seguintes variáveis:

O teste e muito importante, enquanto, sé os resultados deste teste forem anormais, a possibilidade de morte fetal e 50-100 vezes maior.
É prova de vitalidade fetal que se baseia fundamentalmente em parâmetros ultra-sonográficos, associados à cardiotocografia. Consiste na avaliação integrada dos seguintes parâmetros: FCF (pela cardiotocografia), volume do líquido amniótico (avaliado pela medida do bolsão maior), tônus fetal, movimentação fetal e movimentos respiratórios. A cada um desses parâmetros atribui-se a pontuação de 0 (anormal) ou 2 (normal). A interpretação e conduta dependem do escore obtido pela somatória das pontuações (ver quadro na página seguinte). Esse perfil deve ser pesquisado utilizando-se monitoramento eletrônico e ecografia de tempo real. O PBF é prova capaz de identificar os fetos com risco, em centros de referência, nos casos em que o risco fetal já foi previamente triado por provas mais simples

II. Indicação

O perfil biofísico fetal tem que ser feito em partindo com 26-28 semanas de gestação. A periodicidade tem que ser variável (de horas ate 7 dias). A periodicidade esta dependente, também do perfil achado.

A) Condições maternas:

B) Condições relacionadas à gestação:

III. Variáveis Agudas e Variáveis Crônicas

Os parâmetros utilizados para avaliar o perfil biofisico fetal podem relevar comprometimento agudo ou crônico do feto, classificando-se em:

A) VARIAVEIS AGUDAS:

  1. Os movimentos fetais
  2. O tônus fetal
  3. Os movimentos respiratórios fetais
  4. Não reatividade ao cardiotocografia

B) VARIÁVEIS CRONICAS:

Alteração do volume de liquido amniótico.

Utilizando-se da ultra-sonografia, o oligodrâmnio pode ser definido de duas formas diferentes: bolsão vertical menor de 2 cm ou índice de líquido amniótico (ILA) menor que 5 cm. Em ausência de malformações fetais, principalmente as renais, e rotura prematura das membranas ovulares, invariavelmente indica redistribuição seletiva do débito cardíaco em resposta à hipoxemia fetal. Em gestações pós-termo é prudente se indicar o parto em função das complicações associadas a esta condição mórbida (eliminação de mecônio espesso). Entretanto, em outras situações de menor risco, convém considerar outras variáveis tais como as condições cervicais e condições maternas, com o intuito de se obter parto por vias naturais. Assumindo-se a conduta expectante, a vigilância fetal freqüente é impositiva.

O QUE FAZER NA FRENTE DE UM REZULTADO PATOLÓGICO?

Considerar sempre a possibilidade de se tratar de um teste falso positivo. Certas condições transitórias maternas (corrigíveis) são causas freqüentes destes resultados.

As taxas de falsos positivos, em contraste com as de falsos negativos, não são estimadas considerando-se a natimortalidade. Levam-se em conta novos exames ou resultados de outros testes mais precisos realizados no período anteparto ou na avaliação dos exames realizados no intraparto e do recém-nascido. Por exemplo, 90% de CTGs basais anormais têm testes com estresse negativos. Esta é a razão de se introduzir o conceito do uso de métodos progressivamente mais complexos em subseqüência às alterações verificadas nos testes mais simples. Tal postura visa evitar a prematuridade iatrogênica, uma complicação importante resultante de condutas intempestivas. Assim, o escore 6 no PBF em fetos de termo indica resolução da gestação, enquanto que nos prematuros indica repetição do exame no mesmo dia ou em 24 horas. Nos casos em que os resultados são definitivamente anormais, na ausência de contra-indicações obstétricas, pode-se indicar a indução do parto com a monitoração contínua da FCF e contrações uterinas.

VARIAVEIS

NOTA 2

NOTA 0

Movimento
corpóreo fetal

3 ou + movimentos corporais
ou de membros em 30 minutos

< 3 movimentos em 30
minutos

Movimento
respiratório fetal

1 ou + movimentos com
duração de 30 segundos em 30
minutos

Ausência de movimentos ou
movimentos < 30 segundo
em 30 minutos

Tônus fetal

1 ou + movimentos de flexão /
extensão de membros ou
abertura / fechamento mão em
30 minutos

Ausência de movimentos ou
movimento insatisfatórios

Volume de líquido
Amniótico

1 bolsão > 2cm x 2xm

Bolsão < 2cm x 2cm

Cardiotocografia
anteparto

2 acelerações transitórias de
15 bpm / 15 segundos em 20
minutos

Aceleração insatisfatória
e/ou < 2 acelerações em 20
minutos

INTERPRETAÇÃO E CONDUTA OBSTÉTRICA DA PONTUAÇÃO DO PERFIL BIOFÍSICO FETAL

8 – 10

RECÉM-NASCIDO NORMAL

6

SUSPEITA DE ASFIXIA CRÔNICA

4

ASFIXIA CRÔNICA

0 – 2

FORTE SUSPEITA DE ASFIXIA

IV. Vantagens e desvantagens

É método que apresenta índice de falso negativos extremamente elevado, necessitando equipamento e pessoal especializado para sua realização. Não deve substituir, contudo, as provas de vitalidade fetal mais simples, nem ser aplicado à população de gestantes sem triagem prévia.
A confiabilidade de um teste demonstrada por meio das taxas de falsos negativos: CTG basal é 1,9 por 1000; a CTG com estresse é de 0,8 por 1000 assim como o PBF. Portanto, o valor de predição de um resultado negativo para a CTG basal é de 99,8% e mais do que 99,9% para CTG com estresse e PBF. Neste tópico, convém lembrar a importância de se cotejar os resultados dos testes com a condição materna.
Considerar sempre a possibilidade de se tratar de um teste falso positivo. Certas condições transitórias maternas (corrigíveis) são causas freqüentes destes resultados.
Uma importante causa de falso-positivo é a discrepância entre a percepção materna de movimento fetal e movimentos fetais detectados no monitor,  pois um relato de movimento sem aceleração do ritmo cardíaco pode levar à percepção errônea de escore 0 para este item, podendo levar até a uma intervenção por parte do obstetra. Outros fatores maternos a serem excluídos antes de se considerar o feto hipoativo ou inativo são uso de medicamentos depressores do SNC e jejum prolongado. O tempo mínimo para cada parâmetro deve ser observado para evitar que o feto receba escore zero por estar dormindo.

MISODOR, 23 MARTIE 2008

SAIR